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Ligações comprovam

PM demorou para atender denúncias quando jovem foi morta pelo marido

Vizinhos ligaram várias vezes para a polícia relatando que a vítima estava correndo risco de vida; a viatura chegou cerca de 3 horas depois, quando Daniela já estava morta

Autor: Redação RIC Mais
Daniel foi morta a facadas pelo marido em Fazenda Rio Grande. (Foto: Reprodução/RICTV)
Daniel foi morta a facadas pelo marido em Fazenda Rio Grande. (Foto: Reprodução/RICTV)

Gravações telefônicas divulgadas nesta quinta-feira (14) mostram que o assassinato de Daniela Eduarda Alves, 23 anos, em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, poderia ter sido evitado caso a Polícia Militar (PM) tivesse atendido a ocorrência com agilidade. Ela foi morta a facadas pelo marido Emerson Bezerra da Silva, 34 anos, na madrugada de 14 de janeiro.  (Ouça os áudios abaixo)

Vizinhos pedem ajuda

Oito ligações foram feitas ao Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM) para que a polícia fosse até o local. Alguns deles entraram em contato mais de uma vez e ressaltaram que a mulher estava sendo espancada na frente de uma criança. Mas o socorro só chegaria cerca de três horas depois, quando Daniela já estava morta. De acordo com as investigações, a briga entre o casal iniciou por volta das 23h de 13 de janeiro e a viatura só chegou às 2h20 da madrugada do dia 14. O Ministério Público do Paraná (MP-PR) anexou todas as ligações ao processo sobre o assassinato de Daniela.

Ouça todas as ligações recebidas pela PM: 

Vizinho: eu queria fazer uma denúncia, o vizinho aqui da minha casa aqui, tá espancado a mulher dele e tem uma criança pequena junto. Eu acredito que tá espancando a criança também.

Vizinha: tem uma mulher gritando muito aqui na rua atrás da minha casa e tem uma criança. Ela tá gritando muito.

PM: vamos pedir averiguação.

Vizinha: eu to ouvindo uns gritos aqui atrás da minha rua, uma mulher pedindo socorro. Daí, tem um homem gritando também.

PM: tá gerando a ocorrência, assim que tiver uma viatura, ela se desloca para atender ali.

Vizinha: aqui tá tendo uma briga, não sei se é de casal. A mulher tá gritando socorro aqui na rua. Acho que é marido e mulher, sabe. Ela tá gritando socorro e a gente não se mete que dá medo de sair pra fora. E ela tem uma criança pequena. Ela tá gritando ainda. Ele tá arrebentando ela no cacete. Eles tão dentro da casa. Não param de gritar, dá pra escutar os gritos dela.

Vizinha: eu acabei de ligar pedindo uma viatura aqui na nossa rua, que tem um homem, um vizinho que tá batendo muito na mulher.

Vizinho: meu vizinho aqui tá arrebentando a mulher dele no cacete.

PM: tem outra solicitações relatando a mesma situação. Só aguardar o atendimento, tá bom, senhor.

Vizinha: oi, é a segunda vez que eu liguei para vir com uma viatura. Não veio até agora e tá muito feio o negócio aqui moço. Um vizinho está agredindo aqui a mulher faz tempo. A gente não pode quase nem ouvir a voz dela mais.

PM: já está sendo encaminhado o atendimento.

Vizinha: mas meu Deus, por que demora tanto?

PM: porque a viatura tá dando atendimento a outro ocorrência e precisa liberar para poder atender essa. Infelizmente, é muita gente pedindo atendimento da viatura aí, né

Vizinha: “Nós pedimos umas três vezes a polícia aqui que o cara tá mandando a mulher aqui e ninguém veio até agora. E até agora nada. Nós estamos aqui preocupados com a neném que está chorando, ele tá massacrando a mulher ali."

PM: a ocorrência já está na tela do batalhão, eles têm que encaminhar a viatura.

Posição da PM

Em nota, a PM confirmou que recebeu os chamados, mas que não possuía viaturas disponíveis no momento porque elas estavam em outros atendimentos. A instituição também ressaltou que, após o crime, atendeu o chamado do padrasto de Emerson - que ligou avisando que o homem havia matado a esposa - e prendeu o suspeito.

Ouça a ligação

Denunciante: meu enteado está aqui na minha casa e disse que matou a esposa lá em Fazenda Rio Grande, ele tá todo ensanguentado. Ouça na íntegra:

 

Relembre o caso

Daniela foi morta com inúmeros golpes de faca pelo companheiro depois de passar o dia com a mãe, o padrasto, o irmão e a filha na praia. Segundo informações, quando chegou em casa, o marido não estava e, por isso, ela foi dormir. No entanto, algum tempo depois, ele retornou e deu início as agressões.

Daniela foi brutalmente espancada e, na sequência, morta a facadas pelo marido em Fazenda Rio Grande. (Foto: Reprodução/RICTV)

Depois de assassinar a esposa, Emerson, mesmo todo sujo de sangue e com vários cortes nas mãos, pegou a filha e foi de carro até a casa de sua mãe no bairro Sítio Cercado, em Curitiba. Foi nesse momento que o padrastro ligou para a polícia e contou o que havia ocorrido. 

Filha viu tudo

A filha do casal, de dois anos, estava em casa quando tudo aconteceu. A defesa do suspeito alega que ele não cometeu o assassinato na frente da criança. Já familiares afirmaram, na época do crime, que a menina assistiu tudo. “Minha sobrinha está ali na minha casa. Ela presenciou tudo, pelo o que ela falou para gente, ela é bebezinho, mas ela falou como que o pai dela fez com a mãe dela. Ela contou que o pai dela pegou a mãe dela e chacoalhou, falou assim”, contou a mulher que não quis se identificar”, disse uma irmã da vítima. Na ocasião, ela também contou que a criança não entendeu bem e achava que os pais estavam no trabalho, por isso, não havia visto mais nenhum dos dois.

Criança que viu a mãe ser morta pelo pai acha que os dois estão trabalhando

Relação conturbada e tentativa de separação

De acordo com familiares - tanto do lado da vítima como do lado do autor do crime -, o casal brigava muito e havia se separado, mas, o homem acabou voltando para casa. “Ele batia nela, ameaçava ela. Eles terminaram o casamento. Ela mandou ele embora, ele foi e voltou no mesmo dia. E agora aconteceu isso. Ele ficou na casa com ela e ele matou ela”, relatou a irmã de Daniela.

O pai de Daniela também confirmou a relação conturbada entre os dois. “Era uma mãe exemplar, cuidava da filha, Era uma esposa exemplar com tudo que o Emerson fazia, ela nunca fez coisa errada. E lutou por ele, ela falava para mim e para Rose [mãe da vítima] ‘O Emerson ainda vai melhorar, vai mudar”.

Versão dos suspeito

Em janeiro, Emerson também conversou com a RICTV Curitiba | Record PR e afirmou estar arrependido.“Não era para 'mim' ter feito isso. Eu amava minha mulher, eu gostava muito dela”, falou aos prantos.

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