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Após o crime

Allana trocou mensagens por WhatsApp com a mãe de Daniel e mentiu

Nas mensagens, a jovem chegou a dizer para a mãe do jogador Daniel, morto pelo empresário e pai de Allana Brittes, que era para ela ter fé

Autor: Redação RIC Mais
Ela também postou fotos com o jogador Daniel em luto por sua morte. (Foto: Reprodução/Instagram)
Ela também postou fotos com o jogador Daniel em luto por sua morte. (Foto: Reprodução/Instagram)

Allana Brittes, de 18 anos, filha do empresário que confessou ter matado o jogador Daniel Corrêa Freitas, de 24 anos, trocou mensagens, por WhatsApp, com a mãe da vítima, Eliana Corrêa, e mentiu sobre o paradeiro do jovem. (Veja abaixo)

Conversa com a mãe do jogador morto e fotos

Na conversa - que inicia antes do corpo do jogador ser encontrado e acaba depois da confirmação da morte -  Allana tenta despistar sobre o que teria acontecido de verdade com Daniel. Com a troca de mensagens também é possível confirmar a versão dada à polícia pela testemunha-chave do caso. A pessoa, que já se encontra sob proteção da Justiça, afirmou que foi coagida pela família Brittes para mentir a respeito do que presenciou na festa. Conforme seu depoimento, Edison Brittes, de 37 anos, criou uma versão de que o jogador foi embora sozinho e não foi mais visto com a intenção de despistar a polícia.  "Isso eu já não sei. Ele só levantou e foi embora", disse a garota em uma das mensagens. 

Conversa entre a mãe do jogador Daniel morte e Allana Brittes. (Imagens: Reprodução/WhatsApp)
Conversa entre a mãe do jogador Daniel morte e Allana Brittes. (Imagens: Reprodução/WhatsApp)
Conversa entre a mãe do jogador Daniel morte e Allana Brittes. (Imagens: Reprodução/WhatsApp)
Conversa entre a mãe do jogador Daniel morte e Allana Brittes. (Imagens: Reprodução/WhatsApp)
Conversa entre a mãe do jogador Daniel morte e Allana Brittes. (Imagens: Reprodução/WhatsApp)

Proximidade entre o jogador e os Brittes

O advogado de defesa da família Brittes, Cláudio Dalledone Júnior, sustenta a versão de que o jogador encontrado morto em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, não era próximo de Allana e foi até a residência, onde foi espancado, sem ser convidado. No entanto, a conversa com a mãe do rapaz e uma fotografia que Allana postou em sua rede social pela morte do 'amigo’ demonstram que existia uma certa familiaridade entre eles.

Postagem de Allana Brittes após o assassinato do jogador Daniel. (Foto: Reprodução/Instagram)

Familiares do jogador afirmaram com exclusividade ao R7 que o empresário telefonou para a mãe da vítima dois dias após o crime para dar os pêsames e oferecer auxílio. "Esse maluco ligou para a mãe dele [Daniel]. Foi um negócio bem de sangue frio mesmo. Se o Daniel tivesse estuprado, ele não ligaria para a mãe [do estuprador] e falaria sobre sentimentos dele. Não se estivesse defendendo a honra da família. Esse cara está inventando a versão dele", acusou o parente da vítima.

Em um vídeo, divulgado por Dalledone, Allana Brittes aparece afirmando que não era próxima do jogador e que ele não teria sido convidado para o ‘after’ em sua casa. No entanto, segundo a polícia, Daniel foi a Curitiba especialmente para participar da comemoração pelo aniversário de 18 anos da jovem.  

 

Família Brittes presa pelo assassinato do jogador Daniel

Edison Brittes Júnior, que possui passagens pela polícia, confessou ter assassinado o jogador. Ele está preso junto com sua filha Allana e esposa Cristiana Brittes, de 35 anos, em São José dos Pinhais. Conforme a polícia, ambas são suspeitas de envolvimento no crime. A defesa informou que as prisões dos três são temporárias e tem duração de 30 dias.

A família está presa em São José dos Pinhais. (Foto: Reprodução/Rede Social)
Entenda a festa que acabou em assassinato


De acordo com a polícia, Daniel viajou até Curitiba para comemorar o aniversário de 18 anos de Allana Brittes em uma casa noturna sertaneja. De lá, no início da madrugada de sábado (27), ele teria seguido com outras pessoas para a residência de Edison Brittes onde ocorria um “after”.

Além dele, na boate, a jovem comemorou ao lado de aproximadamente mais 300 pessoas, que, conforme a polícia, teriam consumido ao todo cerca de 140 litros de vodka. Segundo a administração do local, o jogador de futebol não se envolveu em nenhuma confusão lá dentro.

Na casa da aniversariante a festa continuou até que foram ouvidos os gritos de Cris por socorro. Foi nesse momento que a testemunha-chave presenciou Daniel ser espancado pelo empresário e outros três suspeitos. A pessoa que viu tudo foi categórica em dizer que não sabe afirmar o que ocorreu enquanto Daniel estava sozinho no quarto com Cris.

Na versão do advogado de defesa da família, o jogador entrou no quarto e tentou estuprar a esposa do empresário. Então, Edison espancou o jovem, colocou ele dentro do carro e foi até a área rural de São José dos Pinhais com a intenção de abandoná-lo vivo. Dalledone afirma que foi durante o trajeto que o empresário perdeu o controle e matou o jovem. Na história contada pela defesa, o celular da vítima tocou e o marido viu as fotos que Daniel tirou com Cris na cama do suspeito. Além de mensagens que ele teria enviado a um amigo de São Paulo afirmando que iria ter relações sexuais com Cris no quarto do casal.

Suspeito de matar Daniel Corrêa conta como cometeu o crime (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

O corpo de Daniel foi localizado no sábado a tarde, na Colônia Mergulhão, na zona rural de São José dos Pinhais, depois que um morador da região viu marcas de sangue no chão de uma estrada rural e seguiu o rastro até o corpo do jovem. Ele estava vestido apenas com uma camiseta, com sinais de tortura, o pênis decepado e cortes profundos no pescoço, a ponto de quase ter sido degolado. "Possivelmente foi uma morte dolorosa. Ele sofreu, não morreu no momento. Foi uma coisa com bastante malvadeza. Quem fez estava com raiva”, disse Edmilson Pereira, superintendente da Polícia Civil de São José dos Pinhais.

Para o promotor Milton Sales, responsável pelo caso, a história sustentada pela defesa apresenta contradições. “Eu analisei os fatos, objetivamente falando, e a história que nos é contada é muito mal contada. Ele tem que ser apurada de uma maneira com provas porque essa vítima de alguma forma, por algum motivo, foi levada a este local. Ele não apareceu lá do nada. Então, a circunstância do que aconteceu, que levou e chegou a esse evento, eu não posso me pautar exclusivamente com a alegação do autor do fato”, declarou em entrevista.

O delegado Amadeu Trevisan disse à Record TV que não acredita na versão do estupro. "Nós não acreditamos nessa hipótese de estupro. Não tem como provar. Acreditamos apenas que o rapaz tenha deitado ao lado dela [mulher de Edison], tenha tirado fotografia e tenha dito que tinha estuprado apenas para aparecer para os amigos. Enfim, coisa de pessoa imatura apenas", acrescentou o delegado. "Acreditamos que tenha sido um momento de imaturidade de Daniel acompanhado de um gesto desproporcional", afirmou ainda durante a entrevista.

Fotos que o suspeito encontrou no celular do jogador. (Foto: Divulgação/Defesa do suspeito)
Testemunha-chave do caso Daniel Corrêa

A principal testemunha do caso afirmou em depoimento, que Daniel foi brutalmente espancado dentro da residência da família - no quarto do casal- e depois levado do local no porta-malas do carro do suspeito. De acordo com sua versão, outros três homens teriam ajudado a agredir a vítima enquanto Allana e Cris entraram em desespero. “Quando eles estão batendo, eles tiram a cueca do Daniel e deixam ele só de camiseta. Nesse momento, ele já não conseguia mais falar. Ele já estava só murmurando, praticamente desmaiado", disse Jacob Filho, advogado da testemunha. Ele também contou que os agressores falavam “Vai morrer, mexeu com mulher de bandido, vai morrer”. 

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