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Caso Daniel: 4 meses depois do crime, réus e testemunhas ficam cara a cara

A previsão é de que nos primeiro dias os réus prestem esclarecimentos e contem para a juíza suas versões do crime brutal que matou o jogador Daniel

Autor: Redação RIC Mais
O jogador Daniel foi assassinado no dia 27 de outubro. (Foto: Reprodução/Twitter)
O jogador Daniel foi assassinado no dia 27 de outubro. (Foto: Reprodução/Twitter)

A primeira audiência na Justiça sobre a morte de Daniel Corrêa Freitas acontece nesta segunda-feira (18), no Fórum de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A previsão é de que nos primeiro dias as testemunhas prestem esclarecimentos e contém para a juíza suas versões do crime brutal que matou um jogador.

Primeira audiência sobre a morte do jogador Daniel

No total, são sete réus no processo denunciados pelo Ministério Público (MP-PR), entre eles, Edison Brittes -assassino confesso do jogador-, Cristiana Brittes e Allana Brittes -mulher e filha do suspeito, que também respondem pelo crime.

Todos os réus têm a possibilidade de acompanhar os depoimentos, mas a decisão de aceitar ou não a presença dos acusados é particular. Na denúncia, oferecida pelo MP-PR, em novembro de 2018, a promotoria indicou 14 testemunhas:

Quatro são familiares de Daniel, entre elas, a mãe e a ex-companheira do jogador; dois jovens que estiveram na comemoração do aniversário de Allana Brittes horas antes do crime; dois investigadores e um delegado que presidiu o inquérito; as outras cinco pessoas são consideradas ‘testemunhas sigilosas’.

Além disso, cada um dos sete réus no processo tem o direito de indicar as próprias testemunhas de defesa. No caso de Edison, Cristiana e Allana, os advogados arrolaram 48 testemunhas.

Quem são os outros denunciados no caso Daniel:

Ao todo, sete pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) pelo assassinato do jogador. 

Edison Brittes (38 anos): homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor e e coação no curso do processo;

Cristiana Brittes (35 anos):  homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de menor;

Allana Brites (18 anos): coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de menor;

Eduardo da Silva (19 anos): homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor;

Ygor King (19 anos):  homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor;

David Willian da Silva (18 anos):  homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de menor e denunciação caluniosa;

Evellyn Brisola (19 anos):  denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de menor e falso testemunho.

Indiciados pelo MP-PR pelo envolvimento no assassinato do jogador Daniel (Infográfico: Luana Silvério)

Daniel foi brutalmente espancado antes da morte

No dia 28 de novembro de 2018, o MP-MPR revelou uma nova sequência de espancamento no jogador Daniel Corrêa Freitas, no dia 27 de outubro, antes de ser parcialmente decapitado na Colônia Mergulhão, em São José dos Pinhais. Veja o que aponta o Ministério Público!

 

- Depois de Edison, Eduardo, David e Ygor saírem da casa da família Brittes, a pedido de Cristina, King agrediu Daniel ainda dentro do carro. “Durante o longo percurso, o denunciado Edison Brittes Junior foi ao volante -conduzindo o veículo- enquanto no banco ao lado, a sua direita, ia David Willian Vollero Sila -namorado de Allana Brittes-, já Eduardo Henrique Ribeiro da Silva e Ygor King tomaram o assento traseiro. Durante o tempo consumido para alcançarem o local de destino, a vítima Daniel Corrêa Freitas continuava a ser violentamente agredida a cotoveladas pelo denunciados Ygor King.”;

- De acordo com a denúncia, em seguida, os jovens imobilizaram Daniel Corrêa Freitas para Edison Brittes Júnior decapitasse o jogador. "Contando sempre com o apoio e adesão dos demais presentes", Edison Brittes mutilou Daniel, que teve o pênis amputado;

- Depois de matarem Daniel às margens da rodovia, Edison Brittes e os jovens carregaram o corpo para dento da mata. “Após consumada a morte da vítima (...) cada qual aderindo voluntária e reciprocamente, às condutas delituosas dos outros, cientes da ilicitude e reprovabilidade de suas condutas, retiraram o corpo de Daniel do local onde consumaram a sua morte, na pista de rodagem de veículos e o ocultaram, levando-a para o interior da mata de reflorestamento, que existia às margens da referida pista.”;

- Cristiana Brittes foi denunciada por homicídio, já que orientou o marido a seguir com o 'justiçamento' do jogador fora da residência (veja abaixo).

Cristiano pediu para que o marido tirasse o jovem de casa
Daniel escutou a sentença da própria morte

Para o delegado Amadeu Trevisan, responsável pela investigação do caso, o jogador morreu aos poucos. “Ele começa apanhando no quarto, onde o Edison é ajudado pelos demais. Ele apanha na calçada. Quando eu falo apanha é muita tortura, tanto é que ele se afoga no sangue, quando ele está sendo conduzido para o carro. Ele passa ali dentro do carro mais ou menos uma hora até chegar no local onde ele foi decaptado e onde ele foi decepado.”

Trevisan argumentou, mais uma vez, sobre a gravidade do crime. “Deve ser muito difícil a pessoa ouvir a própria sentença de morte, porque o Daniel ouviu. Com certeza, quando colocaram ele no veículo, no porta-malas, ele escutou Edison falando que iria 'capar', ia matar e ia dar um fim nele”.

Jogador Daniel é morto brutalmente por Brittes

O corpo do jogador Daniel Corrêa Freitas, de 24 anos, foi localizado no dia 27 de outubro de 2018, na Colônia Mergulhão, na zona rural de São José dos Pinhais, depois que um morador da região viu marcas de sangue no chão em uma estrada e seguiu o rastro até o corpo do jovem. Ele estava vestindo apenas uma camiseta e apresentava sinais de tortura, com o pênis decepado e com cortes profundos no pescoço, a ponto de quase ter sido degolado. Daniel, que jogou pelo Coritiba em 2017, teria aproveitado o fim de semana para visitar amigos na capital do Paraná e participar da festa de 18 anos de Allana Brittes


- Após o assassinato, Allana postou uma foto com Daniel em sua rede social com uma mensagem de luto e também entrou em contato com a mãe do jogador, Eliane Corrêa, e mentiu sobre o que teria ocorrido durante a pós-festa em sua casa. Além disso, o próprio Edison chegou a ligar para Eliane para dar os pêsames e oferecer auxílio.

Parte da conversa entre a mãe do jogador e Allana Brittes (Foto: Reprodução)


- A família Brittes também chegou a se reunir, em um shopping de São José dos Pinhais, com testemunhas que estavam na residência para combinar uma versão para o dia do crime. As imagens, gravadas por câmeras de segurança do local, mostram o encontro que ocorreu no dia 29 de outubro - dois dias depois do assassinato de Daniel;

- No dia 30 de outubro, quatro dias após o crime, a primeira pessoa envolvida com o assassinato foi presa. Cristiana Brittes foi detida pela polícia enquanto estava a caminho do escritório de um advogado;

- Trinta e um de outubro, Edison Brittes e Alanna Brittes se apresentaram na Delegacia da Polícia Civil em São José dos Pinhais. A polícia chegou até eles depois que uma testemunha-chave contou tudo o que sabia sobre o caso. Essa pessoa esteve na casa onde Daniel foi espancado e de onde foi levado, dentro do porta-malas de um veículo, para o local onde foi morto;

- Em seguida, foram presos David Willian da Silva, Ygor King e Eduardo Henrique da Silva. Os três agrediram o jogador dentro da residência dos Brittes e auxiliaram no assassinato. Em depoimento, todos afirmaram que não ajudaram a assassinar Daniel, mas que seguiram junto com Edison no veículo até a Colônia Mergulhão;

- Durante as investigações, Edison confessou o assassinato e disse que fez tudo porque Daniel tentou estuprar sua mulher. Para o delegado Trevisan, a tentativa de estupro nunca aconteceu. "Nós não acreditamos nessa hipótese de estupro. Não tem como provar. Acreditamos apenas que o rapaz tenha deitado ao lado dela [mulher de Edison], tenha tirado fotografia e tenha dito que tinha estuprado apenas para aparecer para os amigos. Enfim, coisa de pessoa imatura apenas. [...] Acreditamos que tenha sido um momento de imaturidade de Daniel acompanhado de um gesto desproporcional.";

- O delegado Amadeu Trevisan confirma que a motivação do assassinato de Daniel foi ele ter sido flagrado por Edison, no quarto do casal Brittes, na cama com Cristiana;

Vaza áudio trocado entre policial e Edison

Na mensagem, Edenir Canton, conhecido como Gaúcho, dá orientações ao acusado sobre qual advogado contratar para defendê-lo pelo assassinato

EDENIR CANTON: “Oi, Juninho, sou eu: Gaúcho! Não vai atrás do Dalledone, venha aqui! Passa aqui, nós vamos conversar…tem que montar uma estratégia técnica”.

Em um segundo áudio, ao que tudo indica, o Edison Brittes, vulgo Juninho Riqueza, parece ter seguido o conselho do amigo e tenta entrar em contato com outro advogado:

Trecho da conversa entre 'Juninho Riqueza' e o advogado indicado pelo policial civil (Foto: RICTV | Record TV) 

Rafael Pellizzete é o advogado que representa Canton em ações pelas quais o policial responde na Justiça. As acusações, inclusive, causaram a prisão do policial e seu afastamento temporário de corporação. Cláudio Dalledone Júnior, citado no áudio, é o advogado de defesa da família Brittes. Em coletiva de imprensa, ele chegou a afirmar que Daniel provocou a própria morte

Bens de Edison Brittes são de origem duvidosa

O promotor João Milton Salles, do MP-PR, afirmou durante entrevista, concedida no dia 19 de novembro, que os bens de Juninho Riqueza são de origem duvidosa. “Tudo tem origem estranha. [...] Há indícios de participação de Edison em outras atividades criminosas. Dado o histórico, origem, circunstâncias, tem que tomar providência de se investigar para ver a participação dele ou não com organização criminosa”, falou na ocasião.

Durante o curso das investigações, foram descobertas ligações de Edison com inúmeras pessoas, entre elas traficantes e policiais:

- uma moto esportiva, de mil cilindradas, exibida nas redes sociais por Edison e a esposa está no nome de um traficante, preso pela Polícia Federal, condenado a mais de 30 anos de prisão;


- chip do celular utilizado por Brittes para ligar para a mãe de Daniel, e desejar os pêsames, pertencia a um homem morto por tiros de fuzil;

- carro usado para transportar o jogador dentro do porta-malas até o local onde foi morto - um Hyundai Veloster - está em nome de uma empresa chamada JR Materiais de Construção no Departamento de Trânsito do Paraná - DETRAN/PR. Essa empresa teria passado o veículo, por procuração, ao policial Edenir Canton e, Edenir, teria passado o carro, também por procuração, para Edison;

- até a carretinha do veículo de Edison está em nome de um homem preso por furto de veículos;

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