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“Não consigo seguir em frente”, diz viúvo de mulher atropelada por viatura

Familiares da vítimas que morreram após serem atropeladas por uma viatura na Linha Verde conversaram com exclusividade com a RICTV Curitiba

Autor: Redação RIC Mais
Quatro mulheres morreram atropeladas pela viatura da PM na Linha Verde. (Foto: Reprodução/RICTV)
Quatro mulheres morreram atropeladas pela viatura da PM na Linha Verde. (Foto: Reprodução/RICTV)

Familiares das vítimas que morreram após serem atropeladas por uma viatura da Polícia Militar na Linha Verde, em Curitiba, no dia 31 de julho de 2018, conversaram com o Balanço Geral Curitiba e falaram sobre a saudade, a dor e o sentimento de impunidade que cerca o acidente.

“Não consigo seguir em frente”

Donizete Aparecido Sanches, marido de Franciele Aparecida dos Santos, morta os 33 anos, conta que mesmo passados seis meses da morte de sua mulher, ele ainda não consegue segurar as lágrimas e costuma chorar todos os dias de saudade. “A mulher é o pilar de toda casa, né, de toda família. Você perder a companheira não é fácil, em todos os sentidos. Da criação do seu filho, da solidão, da tristeza. É complicado, não é fácil. Eu venho tentando tocar, mas mesmo depois de seis meses, não consigo seguir em frente”.

Franciele tinha apenas 33 anos quando foi atropelada pela viatura. (Foto: Reprodução/RICTV)

Franciele era operadora de telemarketing e estava no ponto de ônibus esperando para voltar para casa quando foi atingida pela viatura. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital. Além do marido com quem por viveu por 12 anos, ela também deixou um filho de 7 anos.

“Não estou dizendo que o cara é culpado ou inocente ou que ele saiu com a intenção da casa dele de matar alguém naquele dia. Mas, a partir do momento em que ele andou naquela velocidade, ele assumiu o risco. Então, eu só quero que seja feita a Justiça, que ele arque com a responsabilidade, com as consequências, que ele responda por isso que ele fez. Querendo ou não, ele tirou a mãe do meu filho”, disse Donizete sobre o policial Kleber Norberto, 31 anos, que dirigia a viatura no momento do acidente.

“Eu tenho duas filhas pequenas que até hoje ainda choram de saudades da mãe”

Cleldson Dantas de Matos, marido de Fabiana Maria da Silva, morta aos 29 anos, lembra emocionado que a família estava feliz com a recém conquista da casa própria quando o acidente na Linha Verde aconteceu e desde então a vida não é mais a mesma. “Ele destruiu quatro famílias. Eu tenho duas filhas pequenas que até hoje ainda choram de saudades da mãe. Não consigo ir o shopping com elas. É muito difícil. Não dá nem para dormir direito”.

Fabiana também voltava do trabalho quando foi atropelada pela viatura da PM. (Foto: Reprodução/RICTV)

Sobre o motorista da viatura, o viúvo é enfático e diz que ele precisa responder pelo o que fez.“Ele tem que ser responsabilizado porque nem em rodovias federais você pode trafegar a 137/138 Km/h. Muito menos numa via urbana onde o limite é 70 e tem pessoas transitando por ali. Se tem os limites de velocidade é para ser respeitado, ainda mais partindo da autoridade da polícia. Não tenho nada contra a polícia, não tenho nada contra o Batalhão. Até admiro o trabalho deles, mas, infelizmente, eles tinham uma pessoa lá que acabou manchando a imagem deles”.

Fabiana, que também chegou a ser socorrida, deixou o marido com quem foi casada por 16 anos e duas filhas, uma de 3 e outra de 8 anos.

Reconhecem mãe e esposa em vídeo de WhatsApp

Vergínia Gouvea Enes, morta aos 67 anos, voltava do Hospital Erasto Gaertner, onde havia ido para marcar uma quimioterapia quando foi atropelada pela viatura. Seu marido ficou sabendo do ocorrido pelo enteado que recebeu um vídeo de acidente no WhatsApp e reconheceu a mãe entre as vítimas.

Vergínia lutava contra um câncer quando foi atropelada pela viatura na Linha Verde. (Foto: Reprodução/RICTV)

A outra vítima, Elizandra Maltezo Araújo Lustoza, morta aos 32 anos, estava no local porque havia ido acompanhar Vergínia em sua consulta. Seu marido contou, em depoimento à polícia, que conversou com a esposa cerca de duas horas antes do acidente e que também soube da tragédia pelo vídeo do WhatsApp. Na sequência, ele teria saído desesperado de hospital em hospital atrás de notícias da mulher e quando chegou ao Hospital Cajuru, soube que a esposa já havia sido encaminhado ao IML.

Elizandra havia ido acompanhar a familiar em uma consulta quando foi atropelada pela viatura. (Foto: Reprodução/RICTV)

Por telefone, o marido de Elizandra conversou com a RICTV Curitiba | Record PR, além de perder Elizandra, com que teve três filhos, ele também era familiar de Vergínia. “Eu não posso julgar ele pelo o que ele fez. Quem tem que julgar ele é Deus. Eu vou tocando até o dia que eu consigo, vou criar meus filhos e procurar não desanimar por isso. Por ele [policial] não passa nada, o que tem que fazer por ele é pensar que ele tem uma família também, né”, fala sobre o policial Kleber.

Tanto Vergínia como Elizandra morreram no local, antes da chegada do socorro.

Assista à reportagem completa:

A repórter Thais Travençoli conta todos os detalhes.

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