Curitiba

Grávida de nove meses e bebê morrem em maternidade; família faz BO

O bebê morreu um dia após a grávida dar entrada na maternidade, em Curitiba. À espera de uma cesariana, a gestante também morreu no local

O bebê morreu na tarde de sexta-feira (19), um dia depois que a gestante deu entrada na maternidade Mater Dei, em Curitiba (Foto: Arquivo Pessoal)

O bebê morreu na tarde de sexta-feira (19), um dia depois que a gestante deu entrada na maternidade Mater Dei, em Curitiba (Foto: Arquivo Pessoal)

O bebê morreu na tarde de sexta-feira (19), um dia depois que a gestante deu entrada na maternidade Mater Dei, em Curitiba (Foto: Arquivo Pessoal)
O enxoval da bebê estava pronto, porém a criança e a mãe morreram na maternidade (Foto: Arquivo Pessoal)
No sábado (20), um dia após a morte do bebê, foi a vez da grávida perder a vida na maternidade (Foto: Arquivo Pessoal)

*Com informações do repórter Marcelo Borges, da RICTV Curitiba

Uma dona de casa grávida e seu bebê morreram em uma maternidade de Curitiba nesse fim de semana. A família da vítima culpa a demora em fazer o parto como principal motivo dos óbitos.

Sandrioni Ribeiro Serbelo, de 37 anos, grávida de 42 semanas (nove meses), é quem aparece na foto, em um momento de angústia, à espera do nascimento do terceiro filho. Ela deu entrada na maternidade Mater Dei, no Centro de Curitiba, por volta das 9 horas da noite da última quinta-feira (18). Segundo familiares, que são de Tunas do Paraná, a maternidade tentava induzir a gestante ao parto normal, ignorando o pedido dela por uma cesariana.

Mas, na tarde do dia seguinte, os médicos constataram a morte do bebê. Um dia depois, na noite de sábado (20), foi a vez de Sandrioni sofrer complicações. A cunhada da vítima disse à equipe de reportagem da RICTV que, após a morte do bebê, os familiares chegaram a chamar a Polícia Militar para garantir que cesariana fosse realizada, pois a médica teria dito que era protocolo do hospital esperar 48 horas após a morte da criança para realizar a cirurgia.

Ainda segundo familiares, a maternidade não atendeu ao pedido deles ou da PM, e a gestante sofreu uma convulsão e morreu com a criança dentro da barriga. Mesmo após o óbito, a equipe médica não teria realizado um corte na barriga da grávida e retirou o bebê com o auxílio de um fórceps.

Os dois corpos foram liberados na noite de domingo (21) no Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba. Noel Galvão dos Santos, que foi casado por 19 anos com Sandrioni, não conseguia nem comentar a morte da mulher e da filha.

Na delegacia, a família registrou um boletim de ocorrência e espera que as mortes de mãe e filho sejam esclarecidas. Os parentes da gestante afirmam que conseguiram juntar provas e testemunhas e pedem ajuda jurídica para processar a maternidade que, segundo eles, cometeu esse dano irreparável.

O Portal RIC Mais entrou em contato com a maternidade Mater Dei, que envivou uma nota sobre o caso, confira na íntegra:

"A Maternidade Mater Dei, por meio de sua assessoria de imprensa, esclarece que a paciente S. R.S, 37 anos, em período final de gestação, deu entrada na instituição no dia 18 de maio às 21h42, encaminhada da cidade de Tunas do Paraná, com possível Restrição de Crescimento intra-útero do seu concepto, que mesmo em observação constante, o quadro clínico evoluiu para óbito fetal intra-útero, antes que entrasse efetivamente em trabalho de parto.
Seguindo indicação de Literatura Médica e Protocolos Obstétricos, considerando qual procedimento traria menos riscos à vida da mãe e melhor recuperação pós-parto, a paciente S. R.S, que já havia passado por três partos normais anteriores, foi submetida à indução do trabalho de parto normal. Em todo o período de dilatação teve o acompanhamento constante dos profissionais de saúde da maternidade e de familiar, com boa evolução, níveis tensionais normais, sem intercorrências.
Entretanto, no período do parto, apresentou quadro convulsivo e, de imediato, após o nascimento do natimorto, teve parada cárdio-respiratória. Infelizmente, apesar de todo o esforço da equipe médica e de enfermagem, com tentativas frustradas de reanimação e de medidas recomendadas para o caso, a mesma evoluiu com óbito, às 22h45 do dia 20/5/17, com causa básica indeterminada.
A paciente S. R.S foi encaminhada para o IML (Instituto Médico Legal) para a apuração da causa real do acontecido. A Maternidade Mater Dei reforça que não mediu esforços para salvaguardar a vida da mãe e do bebê e lamenta as tristes perdas e coloca-se à disposição da família para quaisquer esclarecimentos.
A Mater Dei, maternidade que mais faz partos pelo SUS no Paraná, é integrante dos programas Mãe Curitibana e Mãe Paranaense, seguindo protocolos recomendados por estes programas e referendados pelo Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. A Maternidade está entre as Instituições do programa com menores taxas de mortalidade infantil nos últimos anos.
Dr. Sidney José Salvador
Diretor Técnico – HNSG- Maternidade Mater Dei"

 

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Grupos contrários à vacinação crescem no país; volta de doenças preocupa

Na Europa, por exemplo, esses movimentos são apontados como um dos principais causadores de um recente surto de sarampo

Em 2016, por exemplo, cobertura da segunda dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, teve adesão de apenas 76,7% do público-alvo (Foto: Tânia Rêgo, Agência Brasil)

Embora o Brasil tenha um dos mais reconhecidos programas públicos de vacinação do mundo, com os principais imunizantes disponíveis a todos gratuitamente, vêm ganhando força no País grupos que se recusam a vacinar os filhos ou a si próprios.

Esses movimentos estão sendo apontados como um dos principais fatores responsáveis por um recente surto de sarampo na Europa, onde mais de 7 mil pessoas já foram contaminadas. No Brasil, os grupos são impulsionados por meio de páginas temáticas no Facebook que divulgam, sem base científica, supostos efeitos colaterais das vacinas.

O avanço desses movimentos já preocupa o Ministério da Saúde, que observa queda no índice de cobertura de alguns imunizantes oferecidos no Sistema Único de Saúde (SUS). No ano passado, por exemplo, a cobertura da segunda dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, teve adesão de apenas 76,7% do público-alvo.

"Isso preocupa e causa um alerta para nós porque são doenças imunopreveníveis, que podem voltar a circular se a cobertura vacinal cair, principalmente em um contexto em que temos muitos deslocamentos entre diferentes países", diz João Paulo Toledo, diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, que ressalta que todas as vacinas oferecidas no País são seguras.

A disseminação de informações contra as vacinas ocorre principalmente em grupos de pais nas redes sociais. O Estado encontrou no Facebook cinco deles, reunindo mais de 13,2 mil pessoas. Nesses espaços, os pais compartilham notícias publicadas em blogs, a maioria de outros países e em inglês, sobre as supostas reações às vacinas - por exemplo, relacionando-as ao autismo.

Os pais também trocam informações para não serem denunciados (colocando links para outras páginas), como não informar aos pediatras sobre a decisão de não vacinar os filhos, e estratégias que eles acreditam que garantiram imunização das crianças de forma alternativa, com óleos, homeopatia e alimentos.

Exemplos

A doula Gerusa Werner Monzo, de 33 anos, participa de um desses grupos. Ela afirma que há anos começou a ler sobre as vacinas e, por isso, sempre foi contrária a imunizar os filhos, hoje com 6 e 9 anos. "Tomaram as que são dadas nos primeiros meses de vida porque fui obrigada, mas não foram todas. O caçula, por exemplo, não tomou reforços da tríplice viral e a da poliomielite", disse.

Gerusa diz ser contra vacinar seus filhos por achar a imunização desnecessária em crianças saudáveis e por medo de possíveis reações. "Meus meninos nunca tomaram vacinas como a da gripe ou febre amarela, mas são mais saudáveis que muitas crianças porque têm boa alimentação, fazem tratamento com homeopatia. As vacinas atrapalham essa imunização natural que desenvolveram." Ela conta no entanto, que os dois já tiveram catapora - doença que pode ser evitada com a vacina tetra viral.

A designer Fátima (nome fictício), de 39 anos, é mãe de um menino de 3 anos que só foi vacinado, pelo calendário oficial, até os 15 meses. Ela pediu para não ser identificada, por medo de ser denunciada e porque o pai do menino não sabe que o filho não tomou todas as vacinas. "Quando ele tinha quatro meses, tomou as vacinas tetravalente e rotavírus e dias depois seu comportamento mudou, ficou agitado, não conseguia comer, teve alergia por todo o corpo. Na época, eu não entendia o que tinha acontecido, mas, depois de conhecer os grupos que falam sobre as verdadeiras reações das vacinas, tenho certeza de que foi uma consequência delas."

Foi depois de entrar nos grupos que ela decidiu não dar as vacinas seguintes no menino, mesmo sem ter o apoio de familiares e do pediatra. "Não comento com ninguém sobre isso, nem com o meu marido, só a minha mãe sabe que eu parei de dar as vacinas. Não vou dizer nada para o médico nem na escola para evitar qualquer problema. Essa é uma decisão minha e sei que estou cuidando bem do meu filho de outra forma, com uma alimentação saudável e tratamento homeopático", disse.

Risco

Especialistas ressaltam que a decisão de Fátima, Gerusa e de outros pais contrários à vacinação não traz consequências apenas individuais: a queda na cobertura vacinal pode causar problemas de saúde pública. "Imagine se 5% da população deixar de tomar a vacina a cada ano. Isso forma um nicho de pessoas suscetíveis a doenças que, caso contaminadas, podem infectar mais gente", alerta Guido Carlos Levi, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

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Teste de HIV: Anvisa registra primeiro exame de farmácia

O teste dará o resultado em até 20 minutos; o valor ainda será definido pelo fabricante.

O resultado aparecerá na forma de linhas que indicam se há ou não presença do anticorpo do HIV (Foto: Rovena Rosa, Agência Brasil)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou esta semana o primeiro autoteste para detectar o HIV a ser comercializado em farmácia, como outros testes comuns. O Action, nome comercial do produto, será fabricado pela empresa Orangelife Comércio e Indústria e dará o resultado em até 20 minutos. O valor do teste será definido pelo fabricante.

A ideia do registro do autoteste do vírus da aids vinha sendo estudada desde 2015, ano em que a Anvisa havia regulado o registro de produtos para diagnóstico in vitro do HIV.

Assim como alguns aparelhos que são usados para a medição de glicose por diabéticos, o teste de HIV vem com um líquido reagente, uma lanceta específica para furar o dedo, um sachê de álcool e um capilar (tubinho para coletar o sangue). O resultado aparece na forma de linhas que indicam se há ou não presença do anticorpo do HIV. A presença do anticorpo mostra que a pessoa foi exposta ao vírus que provoca a aids.

Apesar de demonstrar 99,9% de sensibilidade e efetividade, o teste só poderá indicar a presença do vírus 30 dias depois da situação de exposição. Caso o teste dê positivo, a pessoa deve procurar um serviço de saúde. Em caso de resultado negativo, o teste deverá ser repetido após 30 dias.

A situação de exposição começa a contar a partir do momento em que a pessoa possa ter tido o contato com o vírus da aids, seja em uma relação sexual sem proteção ou com o compartilhamento de agulhas. O tempo de 30 dias é o período que organismo precisa para produzir anticorpos em níveis que o autoteste consegue detectar.

Se uma nova situação de exposição ocorrer após este período um novo teste precisa ser feito, respeitando o prazo necessário para detecção e as confirmações necessárias.

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