Curitiba

Wesley Batista é preso por suspeita de lucrar com delação da J&F

Wesley Batista é preso por suspeita de lucrar com delação da J&F

Wesley foi levado para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo (Foto: Tânia Rêgo Agência Brasil)

* Com informações do R7

O empresário Wesley Batista, presidente da JBS e irmão mais velho de Joesley Batista, foi preso na manhã desta quarta-feira (13), em São Paulo, durante a 2ª fase da operação Tendão de Aquiles, que investiga o uso de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro. 

A investigação começou logo após a divulgação dos primeiros detalhes da delação premiada dos executivos da J&F, grupo que controla a JBS, em 17 de maio, quando foi revelada a gravação de uma conversa entre Joesley e o presidente Michel Temer.

Poucas horas antes de a gravação vir à tona, a J&F comprou, via corretoras, uma grande quantidade de dólares (estimada em mais de US$ 1 bilhão) no mercado futuro.

No dia seguinte, 18 de maio, o dólar disparou e a Bovespa despencou, a ponto de o pregão precisar ser momentaneamente interrompido. A operação rendeu lucro bilionário à companhia.

Wesley é o atual presidente das empresas do Grupo JBS. Ele estava em sua casa em São Paulo e foi levado para a sede da Superintendência da Polícia Federal na Lapa, na zona Oeste da capital. Além de Wesley, os agentes da PF também tinha ordem para prender Joesley, que já estava preso. Os irmãos são suspeitos de uso indevido de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro.

A prisão de Wesley acontece três dias após a prisão temporária de Joesley, no último domingo, junto com o executivo Ricardo Saud. Agora, os dois irmãos vão aguardar presos os desdobramentos das investigações.

O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal) , determinou a prisão  atendendo ao pedido do procurador-geral da República Rodrigo Janot.

Essa série de prisões começou após a divulgação do áudio de uma conversa entre Joesley e Saud, no qual eles abordam fatos que teriam omitido do acordo, o que viola as regras da colaboração premiada.

Na gravação, os delatores citam Marcelo Miller como um contato dentro da Procuradoria-Geral da República que facilitaria a delação.

A Operação de hoje tem duas linhas de investigação. A primeira é a realização de ordens de venda de ações de emissão da JBS S/A na bolsa de valores, entre 24 de abril e 17 de maio, por sua controladora, a empresa FB Participações S/A e a compra dessas ações, em mercado, por parte da empresa JBS S/A, manipulando o mercado e fazendo com que seus acionistas absorvessem parte do prejuízo decorrente da baixa das ações que, de outra maneira, somente a FB Participações, uma empresa de capital fechado, teria sofrido sozinha.

A segunda  é a intensa compra de contratos de derivativos de dólares entre 28 de abril e 17 de maio por parte da JBS S/A, em desacordo com a movimentação usual da empresa, gerando ganhos decorrentes da alta da moeda norte-americana após o dia 17.

 Entenda o caso

O empresário Joesley Batista, um dos acionistas do frigorífico JBS e um dos maiores doadores de campanhas eleitorais no Brasil, fechou acordo de delação premiada com a PGR em maio, quando entregou aos investigadores da força-tarefa da Lava Jato o áudio de uma conversa entre ele e o presidente Michel Temer.

Em troca das informações, Joesley e outros executivos da J&F receberam o benefício da imunidade penal, ou seja, eles não seriam presos.

Mas para o acordo continuar valendo, os delatores se comprometeram a entregar, até 31 de agosto, novos documentos que comprovassem as acusações feitas — entre elas a de que a J&F teria feito doações a mais de 1.800 políticos.

Nos documentos entregues, havia um áudio, gravado em 17 de março deste ano, em que Saud e Joesley conversam sobre o ex-procurador da República Marcelo Miller, que na data ainda trabalhava no Ministério Público Federal — após se desligar do MPF, em abril, ele foi contratado pelo escritório de advocacia que cuidou do acordo de leniência da J&F (a delação premiada das empresas).

Com a suspeita de que Miller teria aconselhado os executivos em meio às negociações de delação premiada, Janot anunciou na segunda-feira (4) a revisão dos acordos de Joesley, Saud e também do advogado Francisco de Assis e Silva, diretor jurídico da J&F. Na quinta e na sexta-feira, os três executivos prestaram esclarecimentos à PGR, além do ex-procurador Miller.

No sábado (9), a defesa dos delatores solicitou audiência com o ministro Fachin, antes de o magistrado decidir sobre a prisão, e colocou os passaportes dos executivos à disposição da Justiça, num esforço para demonstrar que os acusados não iriam fugir do País. O encontro com o ministro do STF acabou não acontecendo.

Advogado

O advogado Pierpaolo Cruz Bottini, que defende os irmãos Batistas, divulgou uma nota:

“Sobre a prisão dos irmãos Batista no inquérito de insider information (informações privilegiadas), é injusta, absurda e lamentável a prisão preventiva de alguém que sempre esteve à disposição da Justiça, prestou depoimentos e apresentou todos os documentos requeridos. O Estado brasileiro usa de todos os meios para promover uma vingança contra aqueles que colaboraram com a Justiça”, diz a nota.

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Lula em Curitiba: veja os principais acontecimentos do dia

Luiz Inácio Lula da Silva será interrogado às 14h na Justiça Federal, é o segundo encontro do ex-presidente com o juiz Sérgio Moro

O interrogatório será nesta quarta-feira às 14h. (Fotos: Wikipedia)

19h38: Lula deixa a praça

19h11: Lula termina de discursar na Praça Generoso Marques

19h06: "Não há na história da humanidade um líder que tenha governado para os pobres que tenha resistido à sanha como eu resisti", bravateia o ex-presidente

19h01: "Vou continuar a peregrinar por este país", afirma Lula

18h58: Lula, que começou a discursar há alguns minutos, diz que ele, Marisa e família estão sendo vigiados há dois anos e "eles não encontraram nada" 

18h46: Gleisi Hoffman diz que Lula sofre perseguição comparável às que sofreram Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.

18h25: Lula chega à Praça Generoso Marques e deve discursar em breve.

17h09: A movimentação agora é na praça Generoso Marques, manifestantes aguardam a chegada do ex-presidente Lula. As ruas ao redor da praça foram bloqueadas.

16h47: Polícia Militar encerra as atividades no prédio da Justiça Federal. Trânsito no local já foi liberado.

16h34: O ex-presidente acabou de sair do prédio da Justiça Federal - depoimento durou apenas 2 horas.

15h27: Polícia Rodoviária Federal atualiza para 61 o total de ônibus com manifestantes vindos a Curitiba. Três outros foram retidos porque não tinham autorização para viajar, mas, alega a PRF, nenhum manifestante foi barrado

15h05: Manifestantes pró-Lula começam a encher a Praça Generoso Marques. Discurso do ex-presidente está programado para depois do interrogatório.

15h04: A ordem do interrogatório será a seguinte: Juiz, MPF e Defesa.

14h16: Começa a audiência no prédo da Justiça Federal do Paraná.

13h57: Lula ja está no prédio da Justiça Federal. Movimentação no local é grande.

13h40: Advogados do ex-presidente chegam ao prédio da Justiça Federal.


13h18: A rua Pref. João M. Garcez, próxima à Praça Generoso Marques, está parcialmente fechada. O trânsito deve ficar complicado na região durante o horário de pico.

12h53: Integrantes do MST tentam separar a imprensa da área onde deve passar o ex-presidente Lula.

12h48: Vários manifestantes se reúnem na Praça Generoso Marques. 

12h31: Polícia reforça a segurança na região da Justiça Federal. 

12h18: Manifestantes a favor de Lula aproximam-se do Museu Oscar Niemeyer. Trânsito continua livre.

11h45: Ex-assessor especial da Casa Civil e braço direito do ex-ministro Antonio Palocci, Branislav Kontic, também poderá ser ouvido hoje na Justiça Federal.

11h37: Polícia Rodoviária Federal (PRF) atualiza para 52 o número de ônibus que chegaram em Curitiba.

11h35: Ruas já estão bloqueadas e a polícia negocia reforço da segurança na região.

11h26: O corpo encontrado a menos de 50 metros do prédio da Justiça Federal é de um idoso. A Polícia Militar desconfiou que ele estava muito tempo no mesmo lugar e descobriu que ele estava morto. Em seu bolso estavam documentos que comprovaram que o homem tinha vários problemas de saúde. Ele morreu de morte natural.  

11h15: O movimento de manifestantes é grande na região do prédio da Justiça Federal.

11h09: Polícia Rodoviária Federal monitora por helicóptero a chegada dos ônibus. 

11h01: Integrantes do PT mantém sigilo total sobre onde está o ex-presidente Lula.

10h57: A Polícia Rodoviária Federal (PRF) contabilizou até às 10h30 desta quarta-feira (13) a passagem de pelo menos 33 ônibus com manifestantes que participarão de atos a favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Curitiba. A maior parte dos ônibus chegou pela BR-277 vindos do interior do Paraná (25). Outros cincos ônibus vieram de Santa Catarina pela BR-376. E três, de São Paulo, pela BR-116.

10h55: Corpo é encontrado próximo ao prédio da Justiça Federal. O homem ainda não identificado morreu de causas naturais.

10h50: Defesa do ex-presidente confirma entrevista coletiva hoje às 18h30, no Hotel Bourbon Curitiba.

10h25: Coletiva de Imprensa na sede do PT Paraná, na Alameda Princesa Izabel, nº 160.

10h15: O secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária, Wagner Mesquita, chega ao prédio da Justiça Federal.

10h05: Helicópteros sobrevoam a região e os bloqueios nas ruas vão sendo feitos paulatinamente. Com informações da repórter da RICTV Curitiba, Gislene Bastos:

 

10h00: No centro da cidade é possível notar a movimentação de manifestantes que se dirigem à Praça Generoso Marques para o ato de apoio ao ex-presidente. Imagens e informações Guilherme Rivaroli:

9h54: O juiz Sérgio Moro chega ao Tribunal de Justiça Federal, no bairro Ahú, sem falar com a impresa. 

9h42:  Na rodoviária de Curitiba o movimento é grande, vários ônibus trazem manifestantes de todo o Brasil para apoiar o ex-presidente Lula. Veja a cobertura em tempo real com o repórter da RICTV Curitiba, Guilherme Rivaroli:

 

 

9h15: Lula, Palocci, Kontic, Paulo Melo, Demerval Galvão, Glaucos da Costamarques, Roberto Teixeira e Marcelo Odebrecht e a ex-primeira-dama Marisa Letícia também

foram denunciados. Marisa, teve o nome retirado após a morte dela.

9h00: Opinião:Lula e o fim do silêncio petista

Desta vez Lula senta nos bancos dos réus atormentado com um fantasma pessoal: o fim do silêncio petista.

8h45: Movimentos sociais preveem uma programação extensa em Curitiba nesta quarta-feira.

Às 15h, está previsto um ato na praça Generoso Marques, no centro de Curitiba. No começo da noite, o ex-presidente deverá discursar no local, acompanhado de políticos e apoiadores.

8h16 : Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou por volta da meia-noite de terça-feira (12) em Curitiba. Ele teria preferido vir por via terrestre, de carro de passeio e dispensou a escolta policial que foi oferecida.

Lula quis chegar antes do interrogatório e não em cima da hora como aconteceu da última vez em que esteve na cidade para depor na Justiça Federal.

8h00: A mobilização começou em frente ao prédio da Justiça Federal, na rua Anita Garibaldi, bairro Ahú, em Curitiba. Ruas foram bloqueadas e o acesso é restrito para moradores da região, são cerca de mil e quinhentos agentes de segurança envolvidos na operação.

7h00: Na ação penal, oMinistério Público Federal (MPF) acusa o ex-presidente de ter recebido da Odebrecht um apartamento em São Bernardo do Campo (SP) e um terreno em São Paulo para construção da sede do Instituto Lula. Segundo a denúncia, em troca, a empreiteira foi beneficiada em contratos com a Petrobras.

6h00: Moradores da região que forem sair de carro nesta quarta-feira estão sendo orientados a levar documento com foto e comprovante de residência para facilitar a liberação do acesso nas áreas onde haverá policiamento 

5h30: Trajetos de ônibus são alterados no entorno da Justiça Federal. Os desvios começam desde o primeiro horário dos ônibus, pela manhã, e seguem enquanto durar o bloqueio.

O interrogatório será às 2h da tarde e Lula estará frente a frente com o juiz Sérgio Moro. Ele está sendo investigado em seis processos na Justiça Federal, três na Lava Jato.  No primeiro já foi condenado a nove anos e meio de prisão.  

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O ex-presidente Lula já está em Curitiba

Ele chegou por volta da meia-noite de terça-feira

Lula preferiu vir de forma discreta e com antecedência. (Foto: Wikipedia)

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou por volta da meia-noite de terça-feira (12) em Curitiba. Ele teria preferido vir por via terrestre, de carro de passeio e dispensou a escolta policial que foi oferecida.

Lula quis chegar antes do interrogatório e não em cima da hora como aconteceu da última vez em que esteve na cidade para depor na Justiça Federal.

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