Curitiba

Temer: 'Se não tenho apoio do Congresso, tô ferrado'; ouça áudio completo

'Tô de bem com o Eduardo...', diz Joesley aos 11 minutos e meio de gravação; é quando Temer responde: 'Tem que manter isso aí, viu?'

Pessoas participam de ato contra o presidente Temer no centro do Rio (Foto: Fábio Motta Estadão Conteúdo)

Em diálogo gravado em março pelo empresário Joesley Batista como parte de acordo de delação premiada, o presidente da República, Michel Temer (PMDB), fez uma ampla defesa dos seus dez primeiros meses de mandato, criticou a oposição e disse acreditar no sucesso com as reformas defendidas pelo governo. Mas admitiu, no entanto, ser imprescindível o apoio do Congresso.

"Se não tenho apoio do Congresso, tô ferrado", disse Temer a Joesley Batista, sem saber que estava sendo gravado, no início da gravação.

"Primeiro que você sabe que eu tô fazendo dez meses. Parece que foi ontem, né? Parece que foi ontem e parece uma eternidade, as duas coisas. Segundo que tem uma oposição muito rasa, uma oposição horrível. No começo, eles lançaram: 'Golpe, golpe, golpe'. Não passou. Aí 'a economia não vai dar certo'. Começou a dar certo. Então, os caras estão num desespero. Tem que ter apoio no Congresso. Se não tenho apoio do congresso, tô ferrado."

O presidente insistiu ao empresário que a crise econômica ficaria para trás. Citou reformas como a que impôs o teto de gastos, entre outras aprovações conseguidas, como a prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU). "Vamos chegar, é isso mesmo, vamos chegar no fim deste ano olhando para frente".

O áudio foi oferecido à imprensa pelo Supremo Tribunal Federal na noite desta quinta-feira, 18, após a homologação do acordo de delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS e da holding J & F.

No momento em que o áudio chegou à imprensa, o presidente já sofria fortes críticas tanto da base do governo quanto da oposição. Três ministros já haviam dado declarações sobre a intenção de deixar o governo.

O empresário Joesley Batista falou sobre a melhoria da perspectiva da economia. "Muita coisa muito rápido. E também baixou o juro muito rápido. Porque a expectativa foi muito rápido, né, a reversão da expectativa", disse.

Em seguida, o delator comenta que há tempos não via o presidente e passou a falar sobre encontros com representantes do núcleo duro do governo com quem mantinha contato, como Eliseu Padilha (PMDB), ministro da Casa Civil, e Geddel Vieira Lima (PMDB), que era ministro da Secretaria de Governo e caiu no fim de novembro após polêmica com o então ministro da Cultura, Marcelo Calero, sobre um prédio em Salvador.

Só mais adiante na conversa ele fala sobre Eduardo Cunha, deputado cassado. Joesley diz: "Eu tô lá me defendendo. Que que eu mais ou menos dei conta até agora. Tô de bem com o Eduardo...". "Tem que manter isso aí, viu?", responde Temer. 

Ouça.



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Advogado de Curitiba deixa defesa de Eduardo Cunha

Marlus Arns foi contratado em 20 de outubro do ano passado, um dia depois de Eduardo Cunha ser preso por ordem de Sérgio Moro

Eduardo Cunha em sessão no ano passado (Foto: Antonio Cruz)

O escritório Arns de Oliveira & Andreazza Advogados Associados informou nesta quinta-feira, 18, que 'não advoga mais' para o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em ação penal na Operação Lava Jato. Os defensores não apontaram os motivos a renúncia. Afirmaram apenas que substabeleceram o caso para os advogados que já estão na defesa.

Marlus Arns foi contratado em 20 de outubro do ano passado, um dia depois de Eduardo Cunha ser preso por ordem do juiz Sérgio Moro - símbolo da Lava Jato que já condenou o ex-parlamentar a 15 anos e quatro meses de prisão.

Nesta quinta-feira, 18, o peemedebista foi alvo de novo mandado de prisão na Operação Patmos que cerca o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e familiares do tucano.

A Patmos também aponta para Altair Alves Pinto, suspeito de transportar dinheiro em espécie destinado a Eduardo Cunha. A Polícia Federal fez buscas na casa de Altair, no Rio.

O advogado Marlus Arns representava o peemedebista em uma ação penal perante o juiz Moro. Neste processo, o ex-presidente da Câmara foi condenado a 15 anos e 4 meses de prisão na Lava Jato por propinas na compra do campo petrolífero de Benin, na África, pela Petrobras, em 2011. O peemedebista foi sentenciado por crimes de corrupção, de lavagem e de evasão fraudulenta de divisas.

O criminalista amarrou os acordos de colaboração dos empreiteiros Dalton Avancini, Eduardo Leite e Paulo Augusto Santos, da Camargo Corrêa, e do empresário João Bernardi Filho, todos investigados na Lava Jato.

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ONGs e governo se unem para combater abusos sexuais contra crianças

Entre 2015 e 2016, foram registradas mais de 37 mil denúncias de violência sexual na faixa etária de 0 a 18 anos

Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos recebe denúncias de abuso infantil por meio do Disque 100 (Foto: Divulgação)

Para conscientizar a população neste 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, organizações sociais – a Childhood Brasil, Fundação Abrinq, Liberta e Plan International Brasil – e a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente se uniram para promover ações sobre o tema, como seminários, flash mob (aglomerações instantâneas de pessoas), estudos e a distribuição de material.

Nos anos de 2015 e 2016, a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, por meio do Disque 100, recebeu mais de 37 mil denúncias de violência sexual na faixa etária de 0 a 18 anos, o que corresponde a 10% das ligações feitas à central telefônica.

Os crimes de abuso sexual (72%) e exploração sexual (20%) foram os casos mais citados nesse levantamento. As demais ligações estavam relacionadas a outras violações como pornografia infantil, sexting (divulgação de conteúdo por meio de celulares), grooming (tentativa do adulto para conquistar a confiança da vítima), exploração sexual no turismo e estupro.

Sobre o perfil das vítimas, a maior parte delas é formada por meninas (67,69%), seguida por meninos (16,52%) e não informados (15,79%). Homens (62,5%) e adultos de 18 a 40 anos (42%) são apontados como autores da maioria dos casos.

Cerca de 40% do total de denúncias eram referentes a crianças de 0 a 11 anos. As faixas etárias de 12 a 14 anos e de 15 a 17 anos correspondem, respectivamente, a 30,3% e 20,09% das denúncias. No ano passado, os estados de São Paulo, Minas Gerais, da Bahia, do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul foram os cinco que lideraram o ranking das mais de 14 mil denúncias feitas por meio do Disque 100.

“Enfrentar a questão da violência sexual contra crianças e adolescentes é encarar de frente o desafio de uma mudança profunda em nossa cultura”, disse Claudia Vidigal, secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. “É um crime hediondo que, muitas vezes, é banalizado e quase naturalizado em nossa sociedade. Por isso, realizaremos seminários técnicos, campanhas e diversas ações nos quatro cantos do país para que todos possamos compor a rede de proteção da criança e do adolescente e participar do sistema de garantia de direitos”.

A data foi instituída pela Lei Federal 9.970/00, remetendo ao 18 de maio do ano de 1973, quando a menina Araceli Crespo, de 8 anos, foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada em Vitória, no Espírito Santo. Apesar do crime de natureza hedionda, os agressores da menina nunca foram punidos.

 

Programação em São Paulo

Na capital paulista, haverá um flash mob das 8h às 9h30, nesta quinta-feira (18), nos terminais rodoviários do Tietê, da Barra Funda e de Jabaquara. Quem estiver passando por lá receberá marcadores de livros com dados informativos sobre o dia 18 de maio e sua importância, bem como os números dos canais de denúncia.

 

ONGs e governo federal se unem para combater violência sexual contra crianças | Agência Brasil - Últimas notícias do Brasil e do mundo

“A melhor maneira de combater a violência sexual contra crianças e adolescentes é a prevenção, por meio de um trabalho de sensibilização e informação com os pais e responsáveis, a população em geral e os profissionais e gestores das áreas de educação, saúde e da proteção”, avaliou Carlos Tilkian, presidente da Fundação Abrinq.

No Teatro Unibes Cultural (Rua Oscar Freire 2.500, São Paulo), haverá um debate sobre o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes, das 9h às 17h30. “O enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil passa por uma mudança de mentalidade em relação ao assunto, o que só acontecerá se falarmos sobre isso insistentemente, no mínimo pelos próximos dez anos”, disse Luciana Temer, diretora do Instituto Liberta.

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Brasília

A solenidade oficial e um seminário sobre o tema ocorrerão a partir das 10h na Câmara dos Deputados, em Brasília. No sábado (20), o público poderá conferir ainda o Show Pela Vida, Contra a Violência: 17 anos de Mobilização, no Parque da Cidade, a partir das 8h.

Nordeste

Desde o início do mês, na Bahia, no Maranhão e Piauí já ocorrem diversas ações organizadas pela Plan International Brasil. Na grande Salvador (BA), será apresentada a pesquisa O Cenário das Violências Sexuais do Projeto Down to Zero, que tem como meta reduzir o número de crianças vítimas ou em situação de risco de exploração sexual comercial em comunidades da Bahia até 2020.

“Esses dados do Disque 100 são desafiadores para nós da Plan International Brasil, pois reforçam a necessidade de reunir esforços para que se tomem medidas efetivas de erradicação do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes em nossas comunidades. Por isso, durante todo o ano estamos em campo, com nossas equipes e parceiros promovendo ações concretas, focadas especialmente na prevenção”, disse Flávio Debique.

Em Teresina (PI), já vem sendo realizadas oficinas e sensibilizações nas comunidades e escolas. Em Codó (MA), o foco nesta quinta-feira (18) será a mobilização comunitária, com panfletagens e blitz em pontos estratégicos da cidade, além de uma caminhada.

São Luís (MA) também terá atividades de sensibilização nas escolas, blitz e panfletagem nas comunidades, terminando com uma corrida coordenada pelo Ministério Público. Entre os dias 22 e 26, a capital maranhense, em conjunto com as cidades Paço do Lumiar e São José de Ribamar, terão rodas de diálogos com mães, pais e cuidadores. Haverá também oficinas com crianças, focadas em autoproteção, para que elas possam desenvolver habilidades para prevenir o abuso e a exploração sexual.

Estradas

O programa Na Mão Certa, da Childhood Brasil, tem o objetivo de sensibilizar os motoristas de caminhão para que atuem como agentes de proteção dos direitos de crianças e adolescentes nas estradas. As concessionárias CCR ViaOeste e CCR RodoAnel, ao longo deste mês, distribuirão 30 mil folhetos sobre o tema nas praças de pedágio do Sistema Castello-Raposo e Trecho Oeste do Anel. Os folhetos orientam sobre prevenção e como denunciar.

O material informativo chegará também ao setor de turismo com a veiculação na rede Atlântica Hotels, formada por 80 empreendimentos localizados em 43 cidades do Brasil. 

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