Curitiba

Rocha Loures é vaiado por manifestantes ao desembarcar no Brasil

O paranaense foi afastado do cargo de deputado federal na quinta-feira (19) após uma gravação mostrá-lo recebendo uma mala com R$ 500 mil

Rocha Loures estava em Nova York para encontro com investidores e desembaracou no aeroporto de Guarulhos na manhã desta sexta-feira (Foto: Reprodução/RICTV)

O deputado afastado Rodrigo da Rocha Loures (PMDB-PR), citado na delação do empresário Joesley Batista por supostamente ter atuado no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em troca de propina, retornou ao Brasil na manhã desta sexta-feira (19) e foi recebido por vaias.

O voo dele pousou no Aeroporto de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, no começo da manhã. Ele estava em Nova York para encontro com investidores.

O parlamentar foi vaiado e alguns manifestantes pediram a prisão dele, conforme imagens exibidas pela RICTV. Cercado por repórteres, Loures não comentou as denúncias sobre propina e entrou em um táxi sem informar seu destino. Assista:

Rocha Loures foi afastado do cargo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na manhã dessa quinta-feira (18), depois das revelações de que ele teria sido filmado pela Polícia Federal recebendo cerca de R$ 500 mil em propina do Grupo JBS. Também na manhã de ontem, dois endereços ligados a ele foram alvos de mandados de busca e apreensão em Curitiba, um imóvel no bairro Vista Alegre e outro no Alto da Glória. Além disso, o gabinete do parlamentar, em Brasília, também recebeu a visita de agentes da Polícia Federal

Homem de confiança do presidente Michel Temer, o paranaense era suplente e assumiu a vaga de deputado federal em março deste ano, quando Osmar Serraglio (PMDB-PR) virou ministro da Justiça de Temer.

O deputado federal afastado se filiou ao PMDB em 2005. No ano seguinte, se elegeu deputado federal. A aproximação com Temer, de quem foi assessor especial, aconteceu a partir de 2011.

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Joesley Batista pede desculpas em carta aberta

Ele diz que não se orgulha do que fez no Brasil, mas garante que expandiu suas atividades para outros países 'sem transgredir valores éticos'

O empresário Joesley Batista (Foto Jonne Roriz, Estadão Conteúdo)

O empresário Joesley Batista enviou nesta quinta-feira, 18, à imprensa uma carta aberta admitindo que errou e pedindo desculpas. Na carta, ele diz que não se orgulha do que fez no Brasil, mas garante que expandiu suas atividades para outros países sem transgredir valores éticos. O empresário diz que assume a partir de hoje um compromisso público de a companhia ser intolerante com a corrupção e de que o grupo vai se submeter a um dos "mais incisivos mecanismos de investigação existentes".

Leia a íntegra:

"Erramos e pedimos desculpas

Não honramos nossos valores quando tivemos que interagir, em diversos momentos, com o Poder Público brasileiro. E não nos orgulhamos disso.

Nosso espírito empreendedor e a imensa vontade de realizar, quando deparados com um sistema brasileiro que muitas vezes cria dificuldades para vender facilidades, nos levaram a optar por pagamentos indevidos a agentes públicos.

Ainda que nós possamos ter explicações para o que fizemos, não temos justificativas.

Em outros países fora do Brasil, fomos capazes de expandir nossos negócios sem transgredir valores éticos.

Assim construímos um grupo empresarial gerador de mais de 270 mil empregos diretos, com times extraordinários e competentes, que operam 300 fábricas em cinco continentes e oferecem mundialmente produtos de qualidade.

O Brasil mudou, e nós mudamos com ele. Por isso estamos indo além do pedido de desculpas. Assumimos aqui um Compromisso Público de sermos intolerantes e intransigentes com a corrupção.

Assinamos acordos com o Ministério Público. Concordamos em participar de alguns dos mais incisivos mecanismos de investigação existentes e nos colocamos à disposição da Justiça para expor, com clareza, a corrupção das estruturas do Estado brasileiro.

Pedimos desculpas a todos os brasileiros e a todos que decepcionamos, que acreditam e torcem por nós.

Enfrentaremos esse difícil momento com humildade e o superaremos acordando cedo e trabalhando muito.

Joesley Batista, J&F Investimentos"

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Temer: 'Se não tenho apoio do Congresso, tô ferrado'; ouça áudio completo

'Tô de bem com o Eduardo...', diz Joesley aos 11 minutos e meio de gravação; é quando Temer responde: 'Tem que manter isso aí, viu?'

Pessoas participam de ato contra o presidente Temer no centro do Rio (Foto: Fábio Motta Estadão Conteúdo)

Em diálogo gravado em março pelo empresário Joesley Batista como parte de acordo de delação premiada, o presidente da República, Michel Temer (PMDB), fez uma ampla defesa dos seus dez primeiros meses de mandato, criticou a oposição e disse acreditar no sucesso com as reformas defendidas pelo governo. Mas admitiu, no entanto, ser imprescindível o apoio do Congresso.

"Se não tenho apoio do Congresso, tô ferrado", disse Temer a Joesley Batista, sem saber que estava sendo gravado, no início da gravação.

"Primeiro que você sabe que eu tô fazendo dez meses. Parece que foi ontem, né? Parece que foi ontem e parece uma eternidade, as duas coisas. Segundo que tem uma oposição muito rasa, uma oposição horrível. No começo, eles lançaram: 'Golpe, golpe, golpe'. Não passou. Aí 'a economia não vai dar certo'. Começou a dar certo. Então, os caras estão num desespero. Tem que ter apoio no Congresso. Se não tenho apoio do congresso, tô ferrado."

O presidente insistiu ao empresário que a crise econômica ficaria para trás. Citou reformas como a que impôs o teto de gastos, entre outras aprovações conseguidas, como a prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU). "Vamos chegar, é isso mesmo, vamos chegar no fim deste ano olhando para frente".

O áudio foi oferecido à imprensa pelo Supremo Tribunal Federal na noite desta quinta-feira, 18, após a homologação do acordo de delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS e da holding J & F.

No momento em que o áudio chegou à imprensa, o presidente já sofria fortes críticas tanto da base do governo quanto da oposição. Três ministros já haviam dado declarações sobre a intenção de deixar o governo.

O empresário Joesley Batista falou sobre a melhoria da perspectiva da economia. "Muita coisa muito rápido. E também baixou o juro muito rápido. Porque a expectativa foi muito rápido, né, a reversão da expectativa", disse.

Em seguida, o delator comenta que há tempos não via o presidente e passou a falar sobre encontros com representantes do núcleo duro do governo com quem mantinha contato, como Eliseu Padilha (PMDB), ministro da Casa Civil, e Geddel Vieira Lima (PMDB), que era ministro da Secretaria de Governo e caiu no fim de novembro após polêmica com o então ministro da Cultura, Marcelo Calero, sobre um prédio em Salvador.

Só mais adiante na conversa ele fala sobre Eduardo Cunha, deputado cassado. Joesley diz: "Eu tô lá me defendendo. Que que eu mais ou menos dei conta até agora. Tô de bem com o Eduardo...". "Tem que manter isso aí, viu?", responde Temer. 

Ouça.



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