Curitiba

Reunião de Temer termina sem fechar lista de apoios à reforma

Foram mais de 47 presentes em uma reunião no Palácio da Alvorada, mas o governo ainda não tem a resposta que queria

Ainda de acordo com Mansur, Temer tem abordado os parlamentares indecisos questionando sobre qual legado eles querem deixar. (Foto: Ilustrativa/Marcos Corrêa/PR)

O governo esperava terminar de contabilizar na noite desta quarta-feira (6) quantos votos existem a favor da reforma da Previdência. O presidente Michel Temer reuniu 19 ministros, mais deputados e senadores da base aliada, além de líderes de partido. Foram mais de 47 presentes em uma reunião no Palácio da Alvorada, mas o governo ainda não tem a resposta que queria.

A expectativa era receber dos partidos, no encontro que terminou no final da noite, os números de quantos deputados votam com o governo. A resposta veio apenas do PP. Temer espera esses números até esta quinta-feira (7), ao meio-dia. Na saída da reunião, que durou mais de duas horas, o deputado Beto Mansur (PRB-SP) conversou com a imprensa. Ele afirmou que o governo tem cerca de 260 votos, e continuará buscando o apoio necessário.

“Fiz uma análise de 260 votos, que tínhamos até o dia de ontem. Alguns partidos ainda ficaram de entregar. […] Com esse fechamento, o presidente [da Câmara] Rodrigo Maia terá condições de saber se pauta a votação na semana que vem”. O deputado, um dos aliados mais fiéis de Temer, afirmou que o governo quer “votar na certeza”, contabilizando cerca de 325 votos antes de ir para plenário. Para ser aprovada na Câmara, a reforma precisa de 308 votos.

Abordagem dos indecisos

Ainda de acordo com Mansur, Temer tem abordado os parlamentares indecisos questionando sobre qual legado eles querem deixar. O presidente usa como argumento a afirmação de que a reforma será positiva para os mais pobres e cortará privilégios. “O presidente foi muito claro [com os deputados]. Qual é a resposta que o deputado vai dar à sociedade brasileira votando contra a reforma? Que ele está mantendo privilégios?”

O aliado de Temer procurou passar tranquilidade, dizendo que o governo ainda tem 15 dias até o recesso legislativo para buscar os votos e colocar a reforma em votação, em primeiro e segundo turno. “Nós vamos buscar o número de votos, e queremos um número bem consolidado para vencer no plenário. Até o dia 21, teremos condições de votar o primeiro e segundo turno”.

Fechamento de questão

Após reunião com ministros e parlamentares, no último domingo (3), na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, as tratativas em prol da reforma avançaram. No encontro surgiu a ideia de os partidos aliados do governo fecharem questão a favor do tema. O PMDB e o PTB já definiram se definiram por este caminho. Além do partido de Temer, PP, DEM, PR, PRB, PSD e SD podem seguir o mesmo caminho. A possibilidade deu ânimo novo ao governo, que iniciou a semana otimista.

Mesmo que não haja fechamento de questão no PSDB, o governo conta com os votos do partido, cuja aliança com o governo segue questionada. “Acredito que o atual presidente do PSDB [Alberto Goldman] e o próximo presidente, Geraldo Alckmin, estão trabalhando no sentido do partido, [mesmo que] não fechar questão, mas dê um apoio efetivo para a reforma”, disse Mansur.

Quando um partido fecha questão, os parlamentares que não acompanham a decisão da executiva podem sofrer penalidades, como suspensão de atividades partidárias ou até mesmo expulsão da legenda.

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Tiririca se despede da política: "Estou decepcionado com muitos de vocês"

Ele antecipou que não deve denunciar os colegas deputados, apesar da decepção com eles

Tiririca se despede da política: "Estou decepcionado com muitos de vocês" (Foto: Lula Marques/Fotos Públicas)

Deputado mais votado em São Paulo nas eleições de 2010, com 1,35 milhão de votos, e o segundo mais votado das eleições de 2014, com 1,01 milhão, atrás de Celso Russomano, Tiririca (PR) anunciou nesta quarta-feira (6) que deixará a política.

"Eu subo nessa tribuna pela primeira vez e pela última vez (...) porque estou abandonando a vida pública. E eu tô saindo triste para caramba, muito chateado mesmo com a nossa política, com o nosso parlamento", declarou ele, que nunca havia discursado no plenário. "Eu, como artista popular que sou e político que estou, tô bem chateado. Não com os meus 7 anos aqui na política. Não fiz muita coisa, mas pelo menos fiz o que sou pago para fazer, estar aqui e votar de acordo com o povo", prosseguiu. 

O deputado adiantou que não deve fazer denúncia específica dos colegas: "Eu jamais vou falar mal de vocês em qualquer canto que eu chegar e não vou falar tudo o que eu vi, tudo o que eu vivi aqui, mas eu seria hipócrita se saísse daqui e não falasse realmente que estou decepcionado com a politica brasileira, decepcionado com muitos de vocês", afirmou. 

Tiririca primeiro anunciou que renunciaria, mas depois disse que cumprirá seu mandato até o fim. 

Assista ao discurso de Tiririca.

 

 

 

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Mãe de Geddel e Lúcio teria papel ativo na lavagem de dinheiro

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a descreveu como uma senhora de idade com papel ativo e relevante na lavagem de dinheiro

Familiares foram acusados de lavagem de dinheiro e associação criminosa. (Foto: José Cruz/EBC/FotosPúblicas)

*Por Agência Estado via R7

Ao pedir a prisão domiciliar de Marluce Vieira Lima, mãe do ex-ministro Geddel Vieira Lima e do deputado Lúcio Vieira Lima (ambos do PMDB), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a descreveu como uma senhora de idade com papel ativo e relevante na lavagem de dinheiro.

Marluce, de 79 anos, os dois filhos e mais três investigados — os ex-secretários parlamentares Job Ribeiro Brandão e Gustavo Pedreira do Couto Ferraz e o empresário Luiz Fernando Machado da Costa Filho — foram denunciados pelo Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

"Marluce tinha um papel ativo e relevante nos atos de lavagem. Apesar de ser uma senhora de idade, não se limitava a emprestar o nome aos atos e a ceder o closet. Era ativa", afirmou Raquel, referindo-se ao local de seu apartamento que supostamente emprestava para os filhos estocarem dinheiro ilícito.

Na acusação, a procuradora narrou que, a partir de 2011, a família Vieira Lima "comprovadamente avançou da primeira fase do ciclo de lavagem, a ocultação, para a segunda e terceira fases, dissimulação e integração".

Segundo Raquel, nesta época, Geddel demonstrou "interesse em investir no mercado imobiliário".

"A partir daí, Geddel, Lúcio e Marluce Vieira Lima passaram a repassar parte do dinheiro vivo oculto, de origem criminosa, aos empreendimentos imobiliários de Luiz Fernando Machado Costa Filho", afirma Raquel.

A procuradora-geral sustenta que as transações tinham como objetivo a "reintrodução disfarçada do ativo no meio circulante, o mercado imobiliário".

Raquel pediu ao Supremo Tribunal Federal, além da prisão domiciliar de Marluce, fiança de 400 salários mínimos para a matriarca Vieira Lima.

A procuradora-geral requereu ainda que Geddel, Lúcio, Marluce e o empresário Luiz Fernando Machado da Costa Filho paguem à União R$ 51 milhões de indenização por danos morais coletivos.

A reportagem tentou contato com a defesa da família Vieira Lima, mas não obteve retorno.

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