Curitiba

Interrogatório de Sérgio Moro a Lula: confira os principais momentos

Ex-presidente chamou Palocci de 'frio e calculista' e perguntou a Moro se ele é um juiz imparcial

Lula é recebido pela militância na chegada do depoimento para Sérgio Moro em Curitiba (Foto: Ricardo Stuckert)

O segundo interrogatório do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro durou cerca de duas horas, bem menos que as cinco que duraram o primeiro interrogatório, mas teve seus momentos tensos. 

“Apesar de entender que o processo é ilegítimo e é injusto eu pretendo falar. Eu talvez seja a pessoa que mais queira a verdade nesse processo”, Lula disse logo no início.

A defesa disse que Lula não iria responder a perguntas de outros advogados. Segundo Zanin, advogado do ex-presidente, porque "marjoritariamente se tratam de delatores ou que pretendem delatar".

Lula criticou Moro pelo uso da palavra denegrir, ao que o juiz respondeu ao ex-presidente que "não era momento para discursos".

Em um dos momentos mais tensos da tarde, Lula comentou: "Estes processos contra mim fizeram com que voces viraram reféns da imprensa brasileira. Vou chegar em casa, almoçar com oito netos e uma bisneta. Posso olhar na cara dos meus filhos, dizer que eu vim prestar depoimento a um juiz imparcial?" 

Moro respondeu: "Não cabe ao senhor fazer esse tipo de pergunta para mim, mas, de todo modo, sim".

"Porque não foi isso que aconteceu na outra ação", fustigou Lula.

Também sobraram críticas para Antônio Palocci, a quem o ex-presidente chamou de "calculista". O antigo braço direito de Lula teve o nome citado dezenas de vezes no interragatório. Em um dos comentários que mais falou da relação entre os dois, Lula comentou:

"Eu quero contar o meu contexto: eu vi atentamente o depoimento do Palocci. É uma coisa quase que cinematográfica, quase feita por uma roteirista da Globo. (...) Preparam alguns lides para ele dizer. E eu conheço o Palocci bem... se ele não fosse um ser humano, ele seria um simulador. Ele é tão esperto que era capaz de simular uma mentira mais verdadeira que a verdade. O Palocci é médico, é calculista, é frio...".

Em nota, Palocci respondeu: 

Enquanto o Palocci mantinha o silêncio, ele era inteligente e virtuoso; depois que resolver falar a verdade, passou a ser tido como calculista e dissimulado. Dissimulado é ele, que nega tudo o que lhe contraria e teve a pachorra de dizer que se encontrava raramente com o Palocci a cada 8 meses. Quando lhe foi apresentada a agenda do Dr. Emilio Odebrecht esquivou-se, dizendo que o documento é falso. Essa é a lógica dele: os que o acusam mentem, os documentos são falsos, e só ele diz a verdade.

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'Talvez o senhor esteja um pouco rancoroso', diz Moro a Lula

Juiz e ex-presidente voltaram a trocar farpas em audiência nesta quarta

Lula criticou ação do MPF. (Imagem: Reprodução)

*do R7

O juiz Sérgio Moro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva trocaram algumas farpas durante a audiência desta quarta-feira (13), em Curitiba (PR).

O petista foi ouvido em um caso que apura a compra do apartamento vizinho ao dele, em São Bernardo do Campo (SP), e de um terreno que sediaria o Instituto Lula, como propina.

Enquanto era questionado pelo Ministério Público Federal, Lula disse que "o que menos preocupa vocês agora é prova".

Moro interveio.

— Talvez o senhor esteja um pouco rancoroso", mas é a oportunidade que o senhor tem de responder às questões.

Lula manteve o tom agressivo em relação à atuação do MPF.

— Eu não estou rancoroso. Eu fico preocupado, doutor Moro, quando as pessoas inventaram uma história e tentam a cada momento transformar aquela inverdade em verdade. [...] No caso do Ministério Público, eles contaram uma grande mentira. Eu quero ver como eles vão sair dessa.

A acusação sustenta que o engenheiro Glaucos da Costamarques, primo distante do pecuarista José Carlos Bumlai, seria testa de ferro de Lula na compra do apartamento ao lado do dele. Na apuração do MPF, o imóvel foi, de fato, comprado pela Odebrecht.

Lula disse hoje pagar "R$ 4 mil e pouco" de aluguel, despesa que assumiu após a morte de Marisa Letícia. 

— Tem uma carta que ele [Glauco] mandou, eu acho que em fevereiro, pedindo para que fosse depositado o valor no Banco do Brasil.

Outro nome que surge nesse caso é do advogado de Lula, Roberto Teixeira, com quem Costamarques tinha negócios. Segundo o engenheiro, os valores dos alugueis eram pagos pelo ex-presidente ao advogado e ficavam com ele, para quitar serviços prestados.

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Lula aconselha Moro, que rebate: 'Não é momento de discursos'

Ex-presidente quis falar sobre a palavra 'denegrir' ao juiz federal

Lula depôs hoje ao juiz Sérgio Moro por 2 horas na capital paranaense (Foto: Rodolfo Buhrer / Reuters)

O juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, chamou a atenção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (13), durante depoimento na Justiça Federal da capital paranaense para explicar a compra de um terreno para o instituto Lula e um apartamento em São Bernardo do Campo (SP).

Os imóveis teriam sido bancados pela Odebrecht, em troca de facilitações em contratos com a Petrobras. Antes de o ex-presidente começar a falar, Moro advertiu: "Só assim senhor presidente, não é momento de campanha, não é momento de discursos".

Mesmo com o aviso do juiz federal, Lula continuou e disse: "Com todo e profundo respeito que tenho toda vez que eu sento aqui, toda vez que eu saio daqui ou cada vez que ligo a televisão, vejo as pessoas fazendo campanha contra mim;...".

 — Aliás um conselho: o senhor usa a palavra "denegrir" contra o advogado da Espanha que fez acusações, que o senhor não consultou. Politicamente não é correto falar denegrir porque o movimento negro do País não gosta.

Moro voltou a ser incisivo: "Senhor presidente, não é para campanha, não é para fazer declarações, o que o senhor quer dizer sobre a denúncia?"

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