Curitiba

Enquanto MP não provar nada, vou continuar andando por esse país, diz Lula

Em evento neste sábado, o ex-presidente voltou a contestar a sentença do juiz Sergio Moro

Lula participa de ato em solidariedade à sua condenação na sede do PT de Diadema, na grande São Paulo, neste sábado (15) (Foto: Marcelo Gonçalves, Sigmapress, Estadão Conteúdo)

O ex-presidente Lula voltou a contestar a sentença do juiz Sergio Moro, que determinou sua condenação no caso do tríplex do Guarujá, e a se apresentar como candidato à presidência em 2018, durante evento neste sábado (15). Lula foi condenado a 9 anos e 6 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Em evento de posse da direção do Partido dos Trabalhadores (PT) de Diadema, em São Paulo, Lula reafirmou que a única prova que existe no processo é de sua inocência. "Se o MP Ministério Público provar algum contrato, alguma assinatura, algum cheiro meu naquele apartamento, eu peço desculpas a vocês. Enquanto isso, vou continuar andando por esse país. Se vou ser candidato ou não, é outra história."

Segundo o petista, nas quase 280 páginas da sentença não há menção aos benefícios que ele teria recebido. "Reconhece que o apartamento pelo qual estou sendo julgado não é meu." Ele ainda voltou a dizer que o julgamento é político e que Moro aceitou uma "mentira". "Eles não estão me julgando, mas as coisas que fizemos pelo País". E completou depois: "Tenho consciência tranquila de que ninguém que me processa é mais honesto do que eu."

Lula disse à militância' para contar com ele para "consertar" o Brasil. "Se vocês quiserem que esse País volte a crescer e a ser respeitado, eu sei como fazer. Se vocês (governo) não sabem, deixem de destruir esse País", afirmou o petista.

Durante todo o discurso, o ex-presidente fez críticas ao governo Michel Temer, lembrando o elevado número de desempregados do País e criticando mudanças, como as na lei do pré-sal. Além disso, ele exaltou as conquistas sociais e econômicas da gestão do PT. "Sou presidente de todos, mas todos sabem que tenho lado e para quem vou governar", disse, referindo-se às classes econômicas mais baixas.

Leia também
Saiba quais as cinco ações penais em que o ex-presidente Lula é réu

Lula: 'Só quem tem direito de decretar o meu fim é o povo direito'

Envie seu comentário

Comentários (0)

Reforma trabalhista: saiba o que muda com a nova lei

Entenda, em 17 tópicos explicados de forma bem clara e direta, o que mudará a partir de novembro

Reforma foi sancionada pelo presidente Michel Temer e ainda sucita dúvidas para os trabalhadores. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Sancionada na tarde de hoje pelo presidente Michel Temer, a reforma trabalhista passa a valer dentro de quatro meses, conforme previsto na legislação. O projeto, aprovado pelo Senado em uma conturbada sessão na noite de terça-feira (11), altera mais de 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), permitindo que o acordado entre patrões e empregados sobre o previsto em lei nas negociações trabalhistas.

Parte do texto, no entanto, pode sofrer alterações. Durante a tramitação, o governo negociou com os parlamentares a votação rápida das mudanças em troca da garantia da revisão de alguns pontos polêmicos por meio de Medida Provisória ou novos projetos de lei do Executivo. A minuta da MP foi enviada nesta manhã ao Congresso.

O documento toca em dez pontos da reforma, entre eles temas polêmicos que foram discutidos durante a tramitação, como o trabalho intermitente, a jornada de 12 horas por 36 horas e o trabalho em condições insalubres das gestantes e lactantes.

Veja como era a legislação trabalhista e como ficará com a lei sancionada hoje:

Leia também
Temer elogia reforma e diz que desemprego 'cairá muito mais'

Envie seu comentário

Comentários (0)

Lula: 'Só quem tem direito de decretar o meu fim é o povo brasileiro'

O ex-presidente disse que já previa que seria condenado em outubro de 2016: 'Estão condenados a me condenar'

Lula ataca adversários em discurso (Foto: Rovena Rosa, Agência Brasil)

No primeiro pronunciamento depois de ser condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 13, que a sentença proferida pelo juiz Sérgio Moro tem que prestar conta para a história por conter "forte contexto político" e não ter provas. Lula disse que a condenação tem como objetivo tirá-lo do jogo político e afirmou que com isso vai reivindicar o direito de ser candidato à presidência em 2018. 

Lula foi condenado a 9 anos e 6 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex. "Eu queria hoje era estar discutindo a situação política e econômica do Brasil. Discutindo o golpe dentro do golpe", afirmou o petista, defendendo que o presidente Michel Temer deixe o cargo e o Congresso vote um proposta de emenda constitucional para uma eleição direta. 

O ex-presidente disse que já previa que seria condenado em outubro de 2016 quando, em artigo publicado, disse que seus acusadores criaram uma narrativa amplificada pela imprensa e não poderiam voltar atrás. "Estão condenados a me condenar e se não me prenderem serão eles desmoralizados", disse ele ao ler um trecho do artigo. 

Ao defender sua candidatura à Presidência, Lula disse que é preciso permitir que o pobre entre no Orçamento Federal novamente. "Senhores da casa grande, permitam que alguém da senzala faça o que vocês não têm competência pra fazer."

Apoio

Antes do pronunciamento de Lula, a senadora Gleisi Hoffmann (PR) presidente nacional do PT, disse que o ex-presidente recebeu mensagens de apoio de países como Alemanha, Cuba, Uruguai, Equador e uma pessoal do presidente da Bolívia, Evo Morales. 

Em frente à sede nacional do PT, manifestantes fizeram um ato de apoio a Lula. A rua foi fechada por um carro de som, onde oradores se revezaram ao microfone. Uma pequena multidão acompanhou o carro de som. O líder do MTST, Guilherme Boulos, presente ao encontro, afirmou que a sentença contra a Lula une os movimentos de esquerda para lutar contra a tentativa de torná-lo inelegível em 2018. "O que unifica todos os setores é que não dá para decidir a eleição no tapetão", afirmou. 

Defesa

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, afirmou que sua equipe ainda estuda qual a melhor forma de recorrer da sentença, o que pode incluir um recurso diretamente ao TRF-4. Ele lembrou que o presidente não está impedido juridicamente de concorrer a eleição no ano que vem por ser alvo de uma decisão apenas de primeira instância. 

"Acredito que não só a questão de tempo (para a sentença em segunda instância) é relevante, mas que a inocência do ex-presidente seja reconhecida nas instâncias superiores. Nosso trabalho não é com o tempo."

Grampos

Na sentença em que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o juiz federal Sérgio Moro reafirmou que pode "eventualmente" ter errado no levantamento do sigilo dos grampos que pegaram o petista e sua sucessora, Dilma, em conversas pelo telefone em março de 2016. Na ocasião, Lula já era alvo de investigação da Operação Alethea desdobramento da Lava Jato que o conduziu coercitivamente para depor na Polícia Federal.

Os grampos pegaram Lula e Dilma acertando a nomeação do ex-presidente para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil com o objetivo de conferir ao petista foro privilegiado, livrando-o das mãos de Moro. Na época, em ofício ao então relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, ministro Teori Zavaski - morto em janeiro -, o juiz Moro já havia admitido a falha e pediu "escusas" à Corte máxima. Ele negou ter agido sob motivação política.

Leia Mais
Políticos repercutem condenação de Lula nas redes sociais 

Envie seu comentário

Comentários (0)