Curitiba

Lava Jato: assista ao depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro

Durante as quase cinco horas de depoimento a Moro, Lula afirmou que será candidato à Presidência em 2018

Ex-presidente prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro na tarde desta quarta-feira (Foto: Alex Silva/Estadão Conteúdo)

depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, terminou às 19h05 desta quarta-feira (10), depois de quatro horas e 47 minutos. Só o interrogatório de Moro teve duração de três horas e meia. Durante o depoimento, Lula disse que irá se candidatar à Presidência nas eleições  de 2018.

O político respondeu a questões relacionadas ao triplex no Guarujá, no Litoral de São Paulo. A Justiça acredita que o imóvel pertende ao ex-presidente, mas ele nega. Questionado sobre o Mensalão, o ex-presidente se reservou ao silêncio.

O interrogatório desta quarta-feira é a última fase das oitivas na ação em que Lula é réu, acusado de ter recebido R$ 3,7 milhões em propinas da OAS que, em troca, teria fechado três contratos com a Petrobras, supostamente por ingerência do ex-presidente.

Veja também: Lula discursa em ato com 5 mil, para a PM, e 50 mil, para Gleisi Hoffmann

Os vídeos com o depoimento já foram divulgados no sistema da Justiça Federal. Uma equipe de jornalistas da RICTV Curitiba já está concentrada em transcrever todo o conteúdo.

Confira a íntegra do interrogatório na sequência de vídeos abaixo: 

Depoimento de Lula - Parte 1:

Depoimento de Lula - Parte 2:

Depoimento de Lula - Parte 3:

Depoimento de Lula - Parte 4:

Depoimento de Lula - Parte 5:

Depoimento de Lula - Parte 6:

 Depoimento de Lula - Parte 7

Depoimento de Lula - Parte 8

Depoimento de Lula - Parte 9

Depoimento de Lula - Parte 10

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Manifestantes são colocados em 'lugares trocados' em Curitiba

A esquerda, agora à noite com Lula incluído, está protestando na praça que homenageia um político conservador, e a direita, diante do museu de um comunista

Militância pró-lula se reuniu na Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba (Foto: Portal RICMais)

Livro à venda ao lado da Praça Santos Andrade, onde houve manifestação pró-Lula, defende a Lava Jato (Foto: Portal RICMais)

Livro à venda ao lado da Praça Santos Andrade, onde houve manifestação pró-Lula, defende a Lava Jato (Foto: Portal RICMais)
Museu Oscar Niemeyer teve movimento fraco na tarde desta quarta (Foto: Portal RICMais)
Manifestantes pró-Lava Jato diante do 'Pixuleco' (Foto: Portal RIC Mais)
Militância pró-lula se reuniu na Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba (Foto: Portal RICMais)
Praça estava com espaços vazios no início da tarde (Foto: Portal RICMais)

*Por Thiago Momm, do Portal RIC Mais

“Eu tenho nojo de coxinha também”, diz o homem esguio de terno justo, cabelos brancos e olhos azuis para a mulher com a estrelinha número 13 no peito.

Os dois estão na Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba, em meio a algumas centenas de manifestantes pró-Lula, aos quais agora à noite, às 19h30, acaba de se juntar o próprio ex-presidente.

O homem de terno é uma das poucas pessoas não-uniformizadas que o jornalista vê na praça durante quase uma hora.

Batuques e vuvuzelas sonorizam o começo da tarde, churrasquinhos aromatizam o ar. O tempo está úmido, o céu é cor de gelo, boa parte da militância permanece relativamente atenta. Do centro para o fundo da praça o movimento escasseia, e por ali já são poucas as pessoas conectadas ao que está sendo vociferado no palco.

O jornalista tem a impressão de ter escutado a frase “Lula lacrimejando põe a mão na água” saindo da boca de Vicentinho, o político e sindicalista. Em seguida, ele fala de Padim Ciço e de como Lula fez a água chegar no sertão. Isso ele com certeza disse, porque o jornalista então já tinha virado para o palco e estava anotando.

Talvez para irritar os militantes, o misto de sebo e livraria do outro lado da rua mantém “Lava Jato”, o livro de Vladimir Netto, em destaque.

Bolinho

A três quilômetros dali, diante do Museu Oscar Niemeyer, cerca de 150 pessoas (em uma contagem às 14h16) faziam o contraponto amarelo-patriota à caricatura vermelha-sindicalista. Diante do vasto gramado e da imensa edificação em forma de olho espelhado na frente do museu, o bolinho humano não parece grande coisa. O Pixuleco, talvez do tamanho da metade do olho do museu, é o único destaque do cenário.

“Patriota trabalha”, é a justificativa pronta de um homem que está entre os aparentes líderes por ali. Ele exagera o total de presentes ao gravar um discurso com o seu telefone, aparentemente para postar nas mídias sociais. As pessoas ali são mais de 300, afirma, e então convoca as pessoas a aparecerem ali “depois do trabalho”.

“Ninguém, né?”, diz o pipoqueiro para um manifestante, o monte de pipoca salgada aproximadamente pela metade e o de pipoca doce quase intacto. O homem que vende camisetas da República de Curitiba boceja.

Lugares trocados

Os reunidos diante do Museu Oscar Niemeyer são difamados como coxinhas, mas o café do museu não vende um quitute tão obscenamente plebeu – o que mais se chama a atenção são os quiches. A coxinha de frango é vendida, em um combo de R$ 7,50 com refrigerante, na praça Santos Andrade.

Aliás, os manifestantes foram colocados hoje em lugares trocados. O arquiteto Oscar Niemeyer, que dá nome ao museu, era fã de Lula até o final dos seus 104 anos de vida, e quando discordou do ex-presidente foi por considerar que ele deveria ter se colocado ainda mais à esquerda quando estava no poder.

Já a personalidade que dá nome à praça, José Pereira dos Santos Andrade, presidente do Paraná (como se chamava o governador na época) por duas vezes no final do século 19, foi um conservador – em uma época, vale dizer, em que políticos progressistas eram bastante raros, como lembra ao RIC Mais Renato Mocellin, que é professor de História do Curso Positivo e tem mais de 40 livros publicados.  

Mocellin lamenta a polarização política que vive o país, especialmente em dias como o de hoje. Niemeyer, ele lembra, foi membro do Partido Comunista, mas o governo de Lula jamais poderia ser caracterizado assim – “foi no máximo uma socialdemocracia”, avalia o professor, afirmando que o governo Lula inclusive se pareceu com o FHC.

Coros fracos

"Vamos lembrar as hashtags pra continuar lá em cima", diz uma militante ao microfone, repassando o #ForaTemer e #LulaEuConfio para os militantes. Um helicóptero sobrevoa a Santos Andrade. Uma das placas na praça pede liberdade para “Vaccari, Palocci e Zé Dirceu”. Vincentinho deixou o microfone, um deputado petista mineiro assume. O discurso é menos febril. Ele tenta conspirar um pouco, mas a temperatura não sobe. “Em Lula eu confio”, diz. O público parece relutante.

Um pouco depois, um deputado petista catarinense tenta puxar um clássico “olê, olê, olá, Lula, Lulaaa”, mas o coro morre em segundos. Um comentário sobre o fato de a filha e a mulher de Eduardo Cunha não estarem presas, por exemplo, entusiasma muito mais. Outro comentário que funciona é o de que Lula fez, no seu governo, tanto pelo povo quanto pelas elites. “Mas o povo é grato. A elite não, é mal agradecida. Não agradece o que Lula fez pelos aeroportos”.

O discurso cheio de ideias fixas e vodus retóricos segue, mas o público vai cansando, refletindo cada vez mais a pasmaceira do céu.

O clima vai para o Museu Oscar Niemeyer esperando um pouco mais de animação. Não encontra muita. Um cartaz mal-educado diz “Basta seu b...”. Um coro de “Lula / ladrão / teu lugar é na prisão” não se alastra. Alguns apitos soam, algumas pessoas fazem saltar as veias do pescoço ao gravarem depoimentos exaltados para os seus telefones.

O manifestante com microfone que disse que os presentes eram mais de 300 acusa os “mortadelas” de terem vindo a Curitiba pelo ganho de R$ 200 cada. Como eles seriam “40 mil” pessoas, o gasto com a militância pró-Lula teria custado R$ 8 milhões – pagos pelo imposto de cada um de nós, concluiu o homem

"Movimento maravilhoso", ironiza um passageiro filmando de dentro de um carro, durante a parada no sinal. Os manifestam se irritam. O carro arranca e o quase começo de conflito não dá em nada.

Na noite desta quarta, os dois lados da manifestação ainda podem se encontrar.

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Sentença de Moro contra Lula pode sair entre junho e julho

Interrogatório de Lula marca o final da etapa de oitiva dos réus do processo em que ele é acusado por suposto recebimento de propina da OAS

Sérgio Moro já interrogou os outros seis réus do processo; Lula foi o último deles (Foto: Lula Marques/Fotos Públicas)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser sentenciado pelo juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, em Curitiba, até o final de junho - se não houver suspensões do andamento processual -, por corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex do Guarujá (SP).

O interrogatório de Lula desta quarta-feira, o Dia D da Lava Jato, marca o final da etapa de oitiva dos réus do processo em que ele é acusado pela Procuradoria da República por suposto recebimento de R$ 3,7 milhões em propinas da construtora OAS.

O Ministério Público Federal imputa prática de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro - pena prevista de até 22 anos de prisão, se condenado. A ampliação, reforma e decoração de um tríplex no Guarujá (SP), e o custeio do armazenamento de bens, de 2011 a 2016, seriam "benesses" dadas ao petista, em troca de negócios na Petrobras.

O interrogatório é a oportunidade dos réus do processo falarem sobre as acusações de crimes que são imputadas a ele e marca o fim da etapa de instrução da persecução penal.

Os outros seis réus do processo já foram interrogados por Moro. Lula é o último deles.

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Tramitação

Terminada a fase de interrogatórios dos réus, o juiz abre prazo de 10 dias para o Ministério Público Federal fazer suas alegações finais da acusação contra Lula e os demais réus. Entregue os memoriais ao juízo, é aberto mais 10 dias para as alegações finais da defesas.

Superada essa etapa, Moro começa a contar o prazo para sua sentença, o que deve acontecer entre o final de junho e meados de julho, se não houver suspensão do processo.

Nas últimas duas semanas, os advogados de Lula tentaram suspender a ação penal do tríplex, com recursos, que foram negados por Moro, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, segunda instância da Lava Jato, e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Julgado em primeira instância, se for condenado por Moro, o TRF passa a julgar a apelação das defesas. Em outros processos da Lava Jato, as ações levaram, em média, um ano para serem julgadas.

Processo

A ação do tríplex é a primeira aberta por Moro contra Lula, no dia 19 de setembro de 2016. Em três anos de investigação, a Lava Jato descobriu que partidos da base aliada - PT, PMDB e PP - comandariam diretorias da Petrobras, por meio das quais, desviavam de 1% a 3% em propinas de contratos fechados com empreiteiras cartelizadas.

No processo, Lula, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, o ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, e outras cinco pessoas são réus pelos crimes de corrupção e lavagem de R$ 80 milhões, relativos a contratos de obras em duas refinarias - R$ 3,7 milhões seriam obtidos em benefício próprio, do ex-presidente.

A defesa aposta na absolvição de Lula e nega que o apartamento que foi comprado em nome da ex-primeira-dama Marisa Letícia, da cooperativa habitacional dos bancários de São Paulo, a Bancoop, ligada ao PT, e depois reformado e equipado pela OAS, seja do ex-presidente.

O apartamento foi construído inicialmente pela Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), criada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo - entidade que era dirigida pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Netto.

Em 2009, após a falência da entidade, a OAS assumiu o empreendimento e concedeu aos cooperados prazo de 30 dias para optar pelo ressarcimento dos valores até então pagos ou celebrar contrato de compromisso de compra e venda de unidade e prosseguir no pagamento do novo saldo devedor.

"Luiz Inácio Lula da Silva seria beneficiário direto das vantagens concedidas pelo Grupo OAS e, segundo a denúncia, teria conhecimento de sua origem no esquema criminoso que vitimou a Petrobras", afirmou Moro, ao abrir o processo.

No dia 20 de abril o empresário Léo Pinheiro foi interrogado por Moro e confessou que o apartamento, apesar de estar em nome da OAS, era de Lula e foi reformado atendendo seus interesses e pedidos.

Segundo Léo Pinheiro, que tenta um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, o custo das reformas do triplex 164-A, do Edifício Solaris, foi abatido de um acerto de R$ 15 milhões da OAS com o PT.

"Levei esses créditos e esses débitos. Levei o que a OAS estava devendo por conta desses pagamentos de vantagens indevidas ao PT naquele momento, o que estava atrasado e que ainda ia acontecer. E os custos dos empreendimentos que estávamos fazendo, desses passíveis ocultos, e mais os custos do triplex e do sítio", afirmou Léo Pinheiro, ouvido como réu nesta ação penal.

"A OAS pagava, primeiro, porque é uma regra de mercado. Tinha sido estabelecido que em alguns mercados àquela época existiria contribuição de 1% para o Partido dos Trabalhadores e que o gerenciamento disso seria feito pelos tesoureiros do partido", afirmou Léo Pinheiro.

Léo Pinheiro explicou que a OAS comprou o Edifício Solaris no Guarujá, em 2009, da Bancoop - que estava em falência - a pedido do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

Apesar da falta de interesse comercial no empreendimento, ainda em construção, Vaccari teria orientado a compra por envolver um imóvel de Lula. O negócio foi referendado posteriormente pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto.

Para a Lava Jato, a aquisição do empreendimento pela OAS, em 2009, da Bancoop, e a reforma do apartamento foi propina da empreiteira para o ex-presidente.

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