Curitiba

Brasil dividido: Lula e Sérgio Moro empatariam como candidatos

Em uma simulação de segundo turno nas eleições de 2018, Lula e Moro teriam empate técnico; no primeiro, o petista levaria vantagem

Instituto fez pesquisas tendo como cenário uma disputa entre Sérgio Moro e Lula (Imagens: Fotos Públicas)

*Por Thiago Momm, do Portal RIC Mais

Está discretamente no slide número 83 dos 103 da última pesquisa Datafolha sobre as eleições presidenciais de 2018: em um hipotético segundo turno entre Lula e seu desafeto, Sérgio Moro, o juiz teria 42% de votos, e o líder do PT, 40%.

Esses números não configuram, exatamente, uma vitória de Moro: a pesquisa, realizada no finalzinho de abril, diz ter margem de erro de até dois pontos percentuais, e portanto caracteriza a simulação Lula x Moro no segundo turno como “empate”. Ou seja, dizer que o “Brasil está dividido” hoje não é mera força de expressão.

No Sul do país, Moro ganharia o hipotético segundo turno: tem 48% das intenções de voto no Datafolha, e Lula, apenas 27%. No Sudeste e no Centro-Oeste, os números são parecidos. No Norte, Lula fica na frente por uma pequena margem. No Nordeste é que o ex-presidente teria a desforra: 62% contra 23% para Moro.

O juiz tem mais eleitores potenciais entre as pessoas de 25 a 59 anos, com nível superior de escolaridade (58%) e maior renda. Os homens (47%) votariam mais no juiz que as mulheres (37%).

Em cenários do primeiro turno, a rejeição de Sérgio Moro é muito menor que a de Lula. Não votariam no juiz de jeito nenhum apenas 16% dos eleitores, em contraste com 45% que não votariam no ex-presidente. Apenas Temer tem rejeição maior que a de Lula: dois a cada três eleitores não votariam no atual presidente.

Moro, no entanto, só se sobressai em simulações do segundo turno. Em um cenário de primeiro turno com não-políticos como candidatos, o juiz tem 9% das intenções de voto. O ex-presidente do STF Joaquim Barbosa tem 5%, e o apresentador Luciano Huck, 3%. Nessa simulação, Lula tem 29%. 

Em tempo: sobre uma possível candidatura à presidência, o juiz Sérgio Moro disse que “não existe jamais esse risco” porque é um homem da Justiça, não da política.

Seja porque Moro não se diz político ou porque, claro, é menos popular que Lula, em uma simulação sem nenhum nome sugerido, Lula se destaca com 16% e Sérgio Moro, como alguns outros candidatos, zeram.  

No primeiro turno, Lula na frente

Lula tem alto índice de rejeição, além de ser visto como desonesto pela maioria (leia mais abaixo), mas ainda assim desempenharia bem no primeiro turno. Na maioria das simulações, o ilustre visitante de hoje da República de Curitiba fica disparado em primeiro lugar.

Nas pesquisas do Datafolha, Lula tinha 20% das intenções no final de 2015, 25% no final de 2016 e 30% agora no final de abril. Chegou a ficar atrás de Marina Silva uma época, mas a política da Rede agora tem 14%. No período, Jair Bolsonaro subiu de 4% para 15% e agora é o segundo colocado. Com Alckmin, Aécio ou Doria, o PSDB não chega, na pesquisa mais recente, a 10% das intenções.

Em simulações de segundo turno feitas pelo Datafolha, o petista ganharia de candidatos do PSDB com 14% a 16% a mais de votos válidos. Perderia, no entanto, para Marina Silva por 41% a 38%, embora a diferença venha diminuindo – em dezembro de 2015, Marina tinha 21% a mais de intenção de votos no hipotético segundo turno.

Lula ganharia de Bolsonaro por 43% a 31% e, como dito, empataria com Sérgio Moro.

‘Não tem moral’

Lula é um político honesto?

Em agosto de 2005, na época do Mensalão, 49% diziam que sim. Em janeiro de 2016, época em que a Lava Jato estava próxima de completar dois anos, o percentual caiu para 25%.

Os dados são da pesquisa “Pulso Brasil”, do Instituto Ipsos, de 2016. Outra pergunta queria saber: “Lula não tem mais moral para falar sobre ética?”

68% concordaram que o ex-presidente não tem. Em 2005, eram 57%. A imagem de Lula, de qualquer forma, ainda está menos avariada que a do PT. Apenas 15% disseram aos pesquisadores, no ano passado, que o partido é honesto.

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Lula depõe hoje a Sérgio Moro sob clima de tensão

Ex-presidente explicará triplex em Guarujá, e militantes cogitam 'queimar tudo' em Curitiba

Lula presta depoimento sobre imóvel no Guarujá (Imagem: Fotos Públicas)

*Por Raphael Hakime, enviado especial do R7 a Curitiba, e Thiago Calil, do R7 em São Paulo

O clima é de Fla-Flu, o maior clássico das arquibancadas do Rio de Janeiro. Mas o que promete ser o principal acontecimento desta quarta-feira (10) em nada tem a ver com futebol ou qualquer outro esporte.

Trata-se do depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sérgio Moro (confira a cobertura em tempo real), responsável pela operação Lava Jato na primeira instância. O interrogatório está marcado para às 14h em Curitiba (PR).

No encontro, o primeiro em que os dois ficarão frente a frente, Lula dará explicações a Moro sobre o suposto recebimento de propina da empreiteira OAS, por meio da compra de um tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo.

O armazenamento de bens do ex-presidente pela OAS, entre 2011 e 2016, também faz parte deste processo.

Do lado de fora, militantes do PT e grupos favoráveis ao ex-presidente esperam reunir 10 mil militantes para apoiar o ex-presidente. Entre eles, Dilma Rousseff, que deve desembarcar em Curitiba às 10h30 vinda de Porto Alegre (RS).

Já existe um grande acampamento montado na região central de Curitiba, com cerca de 5.000 pessoas. Organizado, o local tem uma grande cozinha, chuveiros dentro de contêineres e banheiros químicos, mas disputa espaço com composições de trem.

Por outro outro lado, os críticos de Lula e apoiadores de Moro também deverão se manifestar na capital paranaense, embora em menor número. 

De um lado ou de outro, porém, será difícil se aproximar da sede da Justiça Federal em Curitiba. Isso porque a PM (Polícia Militar) isolou a área e só vai permitir que moradores e jornalistas acessem o local.

Tocaia

Um grupo de 36 membros do Sindicato dos Metalúrgicos de Recife embarcou com a reportagem do R7 no voo de São Paulo à Curitiba. Esses membros saíram da capital pernambucana por volta das 15h em um voo até São Paulo e, de lá, embarcaram rumo ao Paraná.

Eles fazem parte de um grupo maior, de cerca de 500 pessoas, que deixaram a capital pernambucana rumo a Curitiba para protestar contra as acusações que recaem contra Lula.

Com faixas enroladas e bonés da CUT (Central Única dos Trabalhadores), o grupo aguardava um transporte para um hotel da cidade quando foi abordada pela reportagem. Um dos integrantes, que não quis se identificar, afirmou que inicialmente a ideia é seguir a programação pacífica desta quarta-feira.

Questionado, porém, se acreditava na possibilidade de o juiz federal mandar prender Lula, foi enfático: "Isso seria uma tocaia, uma emboscada. Se mandar prender, vai faltar gasolina nos postos de Curitiba, porque nós vamos queimar tudo".

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Aliados não descartam presença de Lula em ato público após depoimento

'Fizemos o convite a Lula. Vamos ver se ele aparece', disse o coordenador da Frente Brasil Popular, Raimundo Bonfim

Integrantes do Movimento Sem Terra (MST) acampam em terreno cedido pela rodoferroviária no centro de Curitiba (Foto: Rodrigo Félix Leal, Futura Press, Estadão Conteúdo)

Aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não descartam a possibilidade de ele participar de um ato público em Curitiba, na noite desta quarta-feira, 10. Segundo pessoas próximas a Lula a decisão será tomada apenas após o depoimento à Justiça Federal.

"Não está descartada a hipótese, mas o ex-presidente só vai decidir sobre isso depois do depoimento", disse o ex-ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República na gestão Lula, Gilberto Carvalho, um dos seus principais interlocutores.

Para Carvalho, a principal preocupação é evitar que o interrogatório se transforme em um ato político. "Vamos fazer disso um ato de solidariedade a Lula e um debate político contra as reformas", disse.

"O presidente Lula vai decidir só depois do depoimento essa questão. Vai ser analisada por ele e seus advogados no momento oportuno", completou o deputado Paulo Pimenta (PT-PR).

A Frente Brasil Popular, que está organizando vigílias na noite desta terça-feira e durante toda quarta, pretende concentrar a militância em frente à Catedral de Curitiba, na Praça Tiradentes. A expectativa dos organizadores é reunir cerca de 30 a 50 mil pessoas no local.

"Fizemos o convite a Lula. Vamos ver se ele aparece", disse o coordenador da Frente, Raimundo Bonfim.

Apoiadores iniciam marcha

Empunhando faixas com dizeres "Fora Temer" e "Diretas Já" tochas acesas e bandeiras do MST, militantes iniciaram em Curitiba, nesta quarta, uma marcha em apoio ao ex-presidente. Eles seguirão do acampamento que montaram no pátio dos rodoferroviários até a Praça Tiradentes. Os organizadores estimam em 4 mil pessoas na marcha.

À frente da marcha estão o líder do MST, João Pedro Stédile, e o deputado Paulo Pimenta (PT), entre outros. Stédile disse que, embora tenha negado o pedido da defesa de Lula para que o depoimento seja transmitido ao vivo, a militância espera que Moro volte atrás da decisão.

"Esperamos que o juiz Sérgio Moro tenha civilidade e autorize a transmissão direta da audiência para que se evite as práticas antidemocráticas que ele costuma fazer, de selecionar tópicos que interessam politicamente, e não juridicamente, e entregar para a Globo", disse.

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