Curitiba

Pais devem acompanhar o acesso de crianças à internet, alertam especialista

Profissionais concordam que o acesso à internet é um caminho sem volta, e a proibição do uso não é a melhor opção para os pais

Atenção com as crianças deve ser redobrada durante as férias (Foto: Pixabay)

Julho é o mês das férias escolares e, com elas, vêm a preocupação de muitos pais sobre como os filhos aproveitam o tempo livre. O acesso à internet e às redes sociais é uma das formas de passar o tempo, mas deve ser feito com cuidado para não prejudicar as crianças e adolescentes.

Especialistas concordam que o acesso à rede mundial é um caminho sem volta, e a proibição do uso não é a melhor opção para os pais. O presidente da organização não governamental Safernet, Thiago Tavares, diz que a melhor estratégia continua sendo o diálogo, a conversa franca e a relação de confiança que deve existir entre pais e filhos.

“Da mesma forma que você conversa com seus filhos sobre os riscos que existem ao sair na rua, na escola, no cinema, você diz para ele não aceitar bala de estranhos, você também deve orientá-lo em relação ao uso seguro da internet”, diz. Ele recomenda também o uso de versões customizadas de sites e aplicativos, que selecionam o conteúdo apropriado para crianças.

O especialista não recomenda o monitoramento dos filhos com o uso de softwares espiões. Segundo ele, esses programas passam uma falsa sensação de segurança e podem comprometer a relação de confiança entre pais e filhos. “Proibir o uso da internet não adianta. E monitorar o que seu filho faz por meio de softwares espiões também não ajuda, porque quebra uma relação de confiança e é ineficiente, porque as crianças não acessam a internet de um único dispositivo”, justifica.

Espaço público

A mestre em psicologia clínica Laís Fontenelle orienta aos pais acompanhar os acessos virtuais dos filhos da mesma forma como é feito no mundo real. “O mesmo cuidado que tem de ter na internet é o cuidado que tem de ter em um espaço público. Os pais têm de monitorar da mesma forma que monitora a casa do amigo que o filho vai, a praça que vai frequentar, a festa, porque é como se fosse um espaço público, só que virtual”, explica.

No caso de crianças não alfabetizadas, o acesso à internet precisa sempre ser feito com a supervisão de um adulto, diz a psicóloga. “A mediação é imprescindível principalmente para crianças que não estão alfabetizadas. Elas vão com o dedinho no touchscreen [tela do celular ou tablet] e podem cair em um conteúdo que não é adequado para elas, e não têm a maturidade para lidar com o conteúdo que está ali”, adverte.

A psicóloga também “puxa a orelha” dos pais, alertando para a responsabilidade do exemplo dado às crianças. “Não adianta a gente fazer um overposting dos nossos filhos nas redes sociais, expondo tudo que acontece na vida deles: 'ganhou um peniquinho, comeu a primeira papinha' e dizer para eles não fazerem isso. Se a gente não sabe lidar com esses limites claros sobre o que pode ser publicizado sobre a intimidade das nossas vidas, eles nunca vão saber”, diz Laís.

Os principais riscos do uso da internet por crianças e adolescentes são os acessos a conteúdos inapropriados para a idade, como pornografia, a exposição da privacidade em redes sociais, o cyberbulling e a exposição da intimidade, principalmente na adolescência. “Os casos de vazamento de nudes [fotos de nudez] não param de crescer ano a ano”, diz o presidente da Safernet. Além disso, há o perigo do contato com estranhos, que pode resultar em tentativas de assédio, aliciamentos ou golpes.

Uma pesquisa divulgada no ano passado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil mostrou que 87% crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos têm perfil em redes sociais, e 66% acessam a internet mais de uma vez por dia. Segundo o estudo TIC Kids Online Brasil, 11% dos entrevistados acessaram a internet antes dos 6 anos de idade.

Trem-bala

A jornalista Melissa Gass levou um susto quando viu que o canal no Youtube da filha Lívia, de 7 anos, tinha mais de 15 mil visualizações. O sucesso veio quando a menina postou um vídeo dançando o hit Trem-Bala, da cantora Ana Vilela. “Como ela não posta muita coisa, eu não esperava, mas por causa desse vídeo acabou tendo uma repercussão maior. É muita exposição, a gente fica meio preocupado”, conta a mãe.

Em seu canal, Lívia mostra brincadeiras, músicas, livros e até receitas culinárias. “Eu gosto de ser famosa”, diz a menina, que também participa de aulas de canto, dança e vai começar a fazer teatro.

Para Melissa, não tem como proibir o acesso das crianças à internet, mas é preciso monitorar as atividades dos pequenos na rede. “A tecnologia é uma realidade. Com um ano de idade, ela mexia no celular, então não tem como fugir. Quando a gente proíbe, é pior, porque vai fazer escondido. Então a gente monitora, acompanha, incentiva o que pode incentivar”, explica.

Entre as orientações que os pais dão para Lívia, estão não seguir canais de adultos e não comentar nem trocar mensagem privada com desconhecidos. “A gente fala que têm adultos que querem fazer maldades para as crianças, então que ela tem de tomar cuidado, a gente dá essa orientação”, diz Melissa. A mãe também monitora as redes sociais da filha e, quando vê algo suspeito, desabilita o contato.

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Roupa ‘semelhante a de segurança’ impede advogado de entrar em bar no Batel

"Me sinto humilhado, olhei mil vezes minha roupa, até entender que o problema não é minha roupa, não é meu estilo, não sou eu", desabafa o advogado

"Me sinto humilhado, olhei mil vezes minha roupa, até entender que o problema não é minha roupa, não é meu estilo, não sou eu”, disse o advogado que foi impedido de entrar no James Bar (Foto: Reprodução/Facebook)

"Imaginem a seguinte situação: Um homem é informado que não poderá entrar em uma casa noturna, por que não esta com roupas adequadas...". Assim começa a carta aberta de um advogado que foi barrado em um bar de Curitiba na última quinta-feira (13). A roupa escolhida por ele? Calça, camisa e gravata pretas.

De acordo com Juliano Trevisan, 27 anos, poucos minutos após chegar à fila do James Bar, ele foi abordado por seguranças do local. Em seguida, um funcionário da casa o informou que ele não poderia entrar com a roupa que estava vestindo.

"Roupa preta, gravata e tal, você vai ser confundido com segurança lá dentro, assim não pode entrar", teria dito o funcionário. Em choque, Juliano preferiu evitar a discussão e foi embora.

Discriminação

Na carta aberta que direcionou ao bar em sua página no Facebook, o advogado disse acreditar ter sido vítima de preconceito e discriminação.

"Me sinto humilhado, olhei mil vezes minha roupa, até entender que o problema não é minha roupa, não é meu estilo, não sou eu. E preciso sim, expor esta situação a vocês e demonstrar quão grave ela é e o que ela representa, socialmente falando, nos dias de hoje", desabafou o jovem.

"Conheço várias pessoas que vão lá de camisa e gravata e nem por isso foram barradas. A verdade mesmo é que, por mais que estivesse parecendo com segurança da casa, isto não justifica barrar entrar no local. Roupa social não é uniforme exclusivo de empresas de segurança, o que dizer de formaturas onde os seguranças estão vestidos igual aos convidados?", completou.

Retratação do bar

Em resposta ao ocorrido, o James Bar demitiu o funcionário que impediu a entrada de Juliano e também utilizou o Facebook para realizar uma retratação pública ao advogado e àqueles que se solidarizaram com o caso.

"Infelizmente, ocorreu um episódio do qual devemos nos retratar e esclarecer o que aconteceu. Estamos muito chateados e envergonhados. Na noite de quinta-feira (13), o Juliano foi equivocadamente informado que não poderia entrar no bar por conta do que estava vestindo. Essa foi uma atitude errada e que não condiz com o que acreditamos. Por mais que tentemos nos colocar no lugar do Juliano, não vamos conseguir entender a sensação de humilhação que ele sentiu no momento. Mas imaginamos algo muito triste e distante do que sempre queremos para todos", diz a nota do estabelecimento que foi duramente atacado nas redes sociais.

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Força na Peruca: projeto da Fundação Laço Rosa percorre cidades brasileiras

Programa de empreendedorismo inédito no Brasil vai capacitar moradores de áreas de risco social na profissão de peruqueiros iniciando por Curitiba, seguida por Goiânia, Salvador, Rio e São Paulo

Além do curso de capacitação, o local também contará com um posto de coleta de cabelos e doação de perucas (Foto: Divulgação)

Além do curso de capacitação, o local também contará com um posto de coleta de cabelos e doação de perucas (Foto: Divulgação)

Além do curso de capacitação, o local também contará com um posto de coleta de cabelos e doação de perucas (Foto: Divulgação)
O programa vai capacitar 100 novos profissionais pelo Brasil para a confecção de perucas (Foto: Divulgação)
O caminhão escola desembarca no ParkShoppingBarigui (Foto: Divulgação)

Criado pela Fundação Laço Rosa para resgatar a autoestima de mulheres em tratamento de quimioterapia, o programa Força na Peruca, para formação de peruqueiros, este ano expande seu alcance cruzando regiões. Com o apoio da campanha #fortalizese, Governo australiano e Truckvan, empresa especializada na fabricação de soluções sobre rodas, o caminhão escola percorrerá cinco cidades brasileiras — Curitiba, Goiânia, Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro foram escolhidas para receber a unidade móvel, sendo Curitiba a eleita para abrir as portas para esse projeto itinerante. Além de possibilitar a entrega de perucas a mais pacientes, o programa vai capacitar 100 novos profissionais pelo Brasil para a confecção do acessório.

Na capital paranaense, o caminhão escola desembarcará no ParkShoppingBarigüi, onde serão oferecidas as aulas práticas do projeto no período de 14 de julho e 4 de agosto. O local também contará com um posto de coleta de cabelos e doação de perucas para pacientes do Instituto Humsol.  

“O Força na Peruca itinerante é um programa nacional inédito, pensado para beneficiar toda cadeia. Pacientes ao receberem um novo acessório; alunos ao aprenderem uma nova profissão e vivenciarem a solidariedade na prática; ongs ao formarem uma rede de peruqueiros solidários; doadores ao entenderem que a doação de cabelo vai além do corte e sociedade civil ao se emocionar com todo processo. ”, comemora a presidente voluntária da Laço Rosa, Marcelle Medeiros. A ação foi possível graças ao apoio da campanha #fortalizese, idealizada por Exímia, unidade de negócios da FQM Farmoquímica, realizada em parceria com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Durante os 25 dias em que o projeto estará na cidade, de segunda a segunda, os alunos participarão de aulas práticas, nas quais terão a oportunidade de aprender todo o processo produtivo das perucas. Em seguida, eles poderão fixar o conteúdo teórico à distância e obter informações pertinentes à geração de renda, por meio de uma plataforma on-line que possibilitará contato com disciplinas relacionadas a finanças pessoais, marketing e empreendedorismo.

“Ao final do curso, os participantes, estimulados por metodologias de Design Thinking e Canva, também estarão capacitados para se tornarem empreendedores, donos de seu próprio negócio localmente e aptos a ajudarem as ONGs locais na produção de perucas. A formatura das turmas é um momento muito emocionante porque a prova final é a entrega de uma peruca personalizada a um paciente e também um momento de muita alegria por todas as barreiras enfrentadas pelos alunos para conseguirem o certificado.”, diz Marcelle.

“Este projeto fará com que as pessoas se sintam ilimitadas, pois oferecerá tudo que elas precisam para desenvolver suas habilidades: autoestima, empreendedorismo e capacitação profissional”, destaca Alcides Braga, sócio-diretor da Truckvan, empresa que produziu a unidade móvel.

Parcerias locais associadas à campanha #fortalizese também permitirão oferecer cortes de cabelo gratuitos. “O objetivo é atrair uma rede solidária de doadores, proporcionando a participação de toda a população”, diz Vitor Cunha, gerente de produtos da linha Exímia, destacando que, no ano passado, o programa recebeu a adesão de mais de 13 mil doadores em sua plataforma on-line, transformando a vida de 20 alunos, e consequentemente suas famílias, das primeiras do Força na Peruca no Rio de Janeiro e ampliando em 30% a fabricação das perucas.

Em seguida, o caminhão escola faz uma rápida parada no Distrito Federal, sede da Embaixada Australiana e depois segue para Goiânia (GO), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Em cada cidade, o projeto terá um parceiro de perucas local para certificar os alunos e elegerá uma ONG para receber a doação das perucas.

SERVIÇO

Curitiba
Data: 14.07 a 04.08
Ong amiga: Instituto Humsol (Rua Marechal Deodoro, 252, 7º andar, Edifício Nosso Banco.
Tel (41) 4106 7072
Local: ParkShoppingBarigüi (Rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, 600, Mossunguê)

Goiânia
Data: 07.08 a 02.09
Ong Amiga: a definir
Local: a definir 

Salvador

Data: 05.09 a 30.09
Ong Amiga: Naspec
Local: Salvador Shopping (Avenida Tancredo Neves, 3133, Caminho das Árvores)

Rio de Janeiro
Data: 03.10 – Cristo Redentor - Paineiras
04.10 a 27.10 – Barra Shopping (Av. das Américas, 4666 - Barra da Tijuca)
Niterói -  28.10 a 20.11 – local (a definir)

São Paulo
Data: 22.11 a 17.12 – shopping (a definir)
18.12 a 29.12 – hospitais (a definir)
02.01 a 07.01 – litoral (a definir)
Ong Amiga: (a definir)
Local: shopping (a definir)

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