Curitiba

Na casa do Luis a garagem é espaço de lazer

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Luis Cláudio Brito Patricio tem 36 anos, dois filhos, uma bicicleta e uma garagem que é sala de estar. Somadas a um número de telefone e um e-mail, as informações bem poderiam estampar um cartão de visitas deste que é conhecido por muitos como “O cara da bicicleta”.

A relação de Luis com a “magrela” começou na infância em São Luís, no Maranhão. Superados tombos e arranhões, logo Luis se equilibrava a pedalar. E como diz o outro: quem aprende a andar de bicicleta uma vez, não se esquece mais.

Mas ainda seriam necessários alguns anos e centenas de quilômetros para que a bicicleta se tornasse protagonista na vida do maranhense que se mudou para Curitiba em 2003, onde viria cravar raízes.

Ao adentrar à vida adulta, mal soprou as velas do bolo de 18 anos e já correu para a autoescola garantir o título de motorista habilitado. Sonho realizado, passou a dirigir, assim como dirige ainda hoje, mas cada vez menos.

Durante a conversa fica indeciso ao precisar a última vez que conduziu um carro.

Luis veio morar em Curitiba, onde sua esposa Lia Patricio, 30, já vivia e chegou como chegam centenas de pessoas todos os dias, sem nada conhecer. E a capital que se orgulha de um urbanismo que fez sucesso em outras décadas lhe pareceu carrancuda, um tanto indecifrável. Pequenas armadilhas que diariamente pegam um incontável número de turistas desavisados. Afinal de contas, quem nunca entrou por engano na canaleta do expresso ao dobrar uma esquina? Um carro definitivamente seria um meio inadequado para conhecer a nova cidade.

Eram os primeiros capítulos curitibanos de Luis e Lia Patricio e logo ele decidiu que arranjaria uma bicicleta para explorar melhor a cidade. A partir daqui, Luis  e bicicleta são inseparáveis.

De lá para cá, Luis teve dois acidentes (nenhum grave), três ou quatro pneus furados e um estilo de vida que virou livro. Sua esposa andou de carro até 2007, quando se convenceu a vender o possante para pagar a construção da casa onde vivem hoje. Agora seriam duas bicicletas.

Do projeto da nova morada, lembra das discussões com a arquiteta. “A gente queria uma casa sem garagem!”. Mas e quando recebessem algum amigo, onde ficaria o carro da visita? Foram convencidos a incluir o cômodo no projeto, mas quem permanece estacionado por lá são móveis e os brinquedos das crianças. Os carros que vão à casa dormem no sereno.

Ana Maria, 3, e Rafael, 1, são os filhos do casal de ciclistas e boa parte das gestações aconteceram sobre pedaladas. O médico havia autorizado Lia a pedalar até a hora do parto. Poderia até ir de bicicleta ao hospital na hora de dar à luz, mas optaram pela cautela. O barrigão altera o centro de gravidade do corpo e, de bicicleta, melhor não arriscar. Pedalou só nos primeiros meses de gravidez.

Alguns amigos pressionaram. Com a vinda dos pequenos seria inevitável comprar um carro novamente. Mas que nada! A pressão serviu como incentivo para manter a vida com o transporte movido a arroz e feijão.

Enquanto as crianças não completaram um ano cada, a locomoção era de ônibus, táxis e caronas. Logo que fizeram o primeiro aniversário os pequenos ganharam cadeirinhas para pegar carona nas bikes dos pais.

E é assim que acompanham diariamente a rotina de Luis. Dia a dia ele levanta, toma o café da manhã, embarca e leva Ana Maria e Rafael para a escola. Sozinho segue até o trabalho, onde fica até a hora do almoço. Agora o caminho contrário: pega as crianças e volta pra casa. Come e volta trabalhar até a noite.

Uma rotina que lhe rende uma média de 25 km pedalados de segunda a sexta-feira. Cerca de 500 km por mês. São 6.000 km anuais!  É quase como ir a São Luís e voltar de bike todo ano. Isso sem contar as idas aos treinos de Aikido duas vezes por semana (o homem não para) e eventuais passeios de final de semana.

Apesar dos dez anos de pedaladas diárias, Luis mantém uma relação sutil com a “magrela”. Mesmo sendo reconhecido por ser “o cara da bicicleta”, pedala por mobilidade. Não é esporte, não é lazer. “É o meu carrinho”, brinca.

É de bike que traz as compras do mercado, é com ela que vai a festas, é pedalando que vai a reuniões de trabalho e foi pedalando que chegou a eventos que discutiam mobilidade urbana na prefeitura.

E se questionado sobre as maiores dificuldades para um ciclista em Curitiba, Luis pedala por cima de relevo e clima sem reclamar, mas não tem dúvidas ao apontar o trânsito como o maior vilão dos pedais. A falta de estrutura para receber bicicletas afasta os ciclistas das ruas.

O ciclista em Curitiba é (ainda) um ser em busca do seu espaço. Se na rua, o querem na calçada. Se na calçada, o querem na rua. Os itinerários dos 120 quilômetros de ciclovia da cidade ligam parques e não bastam para quem precisa da bike para os afazeres diários. Somado a isso, o crescimento constante no número de veículos nas vias.

A frota curitibana de carros cresceu mais de 90% entre 2001 e 2011, de acordo com estudo do Observatório das Metrópoles. Hoje são mais de 1,65 milhão de veículos. Uma proporção de 0,57 automóvel para cada habitante.

São números que apontam para um trânsito cada vez mais caótico, sem previsão de refresco para quem volta para casa às 18h.

Empacados em congestionamentos cada vez maiores, muitos curitibanos devem continuar a ver “o cara da bicicleta” passar pedalando ao lado com seu ritmo tranquilo e constante, costurando entre os carros, rumo à sua garagem de estar.

O livro
O cotidiano sobre duas rodas de Luis e sua família é relatado no livro “Minha garagem é uma sala de estar”, com lançamento previsto para 28 de setembro.

O projeto é do próprio Luis Patricio, que escreveu o material, que reúne sua história e dicas para quem quer andar de bicicleta na cidade. A esposa, Lia, é a grande revisora do material. Uma concepção familiar.

Interessou? Clique no link a seguir e conheça o livro: Minha garagem é uma Sala de estar.

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Secretaria Estadual de Agricultura lança programa para uso de agrotóxico

A Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, em parceria com cooperativas, lançou o programa “Acerte o alvo”. O objetivo é conscientizar agricultores e profissionais da área quanto ao uso de agrotóxicos, sem interferir na qualidade dos produtos.

O programa vai oferecer treinamentos sem custo e a estimativa é até 2016 conscientizar mais de 30 mil produtores do estado, além de reduzir os desperdícios à zero.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Por ano, 400 mil pessoas são contaminadas por algum tipo de agrotóxico e a estimativa é que em cada ciclo de produção, o produtor esteja pulverizando a lavoura 10 vezes, quando o ideal são apenas seis.

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Começa a 11ª edição do Londrina Matsuri

O festival da cultura japonesa Matsuri começa nesta sexta-feira (6) e vai até domingo (8), no Parque de Exposição Ney Braga.

O público esperado para os três dias de festival é de 50 mil pessoas. Além das atrações culturais,  como as danças tradicionais japonesas, haverá apresentação de taico, oficina de origami e pipas. Os visitantes terão também dez restaurantes e 80 stands comerciais.

 

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