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Mulher estuprada pelo namorado o procura 9 anos depois para escrever livro

Autor: RIC Mais
Thordis fez contato com Stranger em 2005, nove anos depois do estupro (Foto: Reprodução/BBC Brasil)

Thordis Elva surpreendeu o mundo por decidir entrar em contato com o jovem que há violentou nove anos antes para contar a história do abuso, que virou livro e palestra.

Em 1996, com 16 anos, Thordis foi violentada por Tom Stranger que tinha 18 anos na época. O incidente aconteceu após uma festa natalina em Reykjavik, capital da Islândia. Os dois namoravam apenas há um mês e Stranger levou a jovem para casa após ela passar mal por causa da bebida.

A moça, que não denunciou o estupro, afirmou estar apaixonada na época. “Fiquei machucada e chorei muito por semanas, mas tudo era muito confuso para mim. Tom era meu namorado, não um lunático e o estupro ocorreu na minha cama, não em uma viela. Quando finalmente concluí que havia sido estuprada, Tom já tinha voltado para a Austrália, ao final de seu programa de intercâmbio", conta.

Perdão e culpa

Nove anos depois, a vítima decidiu procurar seu estuprador através de uma carta. Para a surpresa de Thordis, o australiano respondeu com uma confissão e uma oferta de fazer “o que fosse necessário” para minimizar os danos causados. Para a legislação islandesa o crime já tinha prescrito, então os dois resolveram escrever um livro juntos para relatar o ocorrido.

A obra chamou atenção dos organizadores das conferências TED, que os convidaram para uma palestra no evento em outubro do ano passado. O vídeo da dupla já foi assistido por mais de 2,7 milhões de pessoas.

A palestra chamou atenção pela franqueza do diálogo entre o eles. Stranger contou que sufocou as memórias do estupro e que dias depois tinha noção que havia feito algo muito errado, porém admitiu que contou para ele mesmo uma mentira: a de que havia sido sexo e não estupro. “Negligenciei o imenso trauma que causei a Thordis. E a mentira me deixou com uma culpa atroz", diz.

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Desde então Thordis e Stranger participam de eventos ao redor do mundo. Em Londres, porém, enfrentaram a ira de quem viu na aparição da dupla algo que poderia despertar traumas em vítimas de estupro.

Uma petição online, endereçada ao Southbank Centre, argumentou que o evento poderia encorajar a normalização da violência sexual em vez de discutir responsabilidades e causas. Stranger foi acusado de se beneficiar do sucesso do livro. A questão monetária foi levantada em vários países e houve organizações exigindo que a dupla revelasse a divisão de direitos autorais.

De acordo com eles, o australiano fica com uma parte minoritária do dinheiro das vendas, mas prometeu repassá-lo a ONGs envolvidas com vítimas de violência sexual. A ativista, artista e vítima de estupro Liv Wynter argumenta que estupradores não devem receber aplausos por admitirem o crime. "Mesmo que ele não receba dinheiro, ele está se beneficiando de sua posição para ser protegido", afirma Liv.

 

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