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Por Sérgio Soares

Os baixos públicos nos estádios paranaenses e a cultura sócio-torcedor

Com os péssimos desempenho das equipes da Capital na temporada, o alto valor dos ingressos e a má divulgação dos planos de sócio-torcedor os estádios estão cada vez com menos público

Autor: Sérgio Soares
Confira o número atualizado dos 13 maiores sócio-torcedores do Brasil (Foto: Wikipedia)
Confira o número atualizado dos 13 maiores sócio-torcedores do Brasil (Foto: Wikipedia)

Tivemos, no último final de semana, a dupla Atletiba jogando em casa com públicos pequenos, ambos para menos de 10 mil pagantes. O Coritiba joga em um estádio que comporta 35 mil pessoas, e o Atlético para 40 mil, o que significa menos de 1/3 de sua ocupação. O Paraná Clube, que ano passado bateu o recorde de público na Arena e no Couto Pereira animado pela chance de voltar à primeira divisão depois de 10 anos, esse ano também decepciona na sua última partida em casa, levando pouco mais de 2 mil pessoas. Diferente dos anos 80 e 90, em que a bilheteria do jogo significava uma boa parte da receita dos clubes, hoje não passa de 15% do planejamento de arrecadação das grandes equipes na temporada, o que fez com que os clubes elevassem o preço dos ingressos e criando nos últimos 10 anos o chamado plano sócio-torcedor, sem falar na comodidade da TV a cabo e internet. Ingredientes que fizeram, junto com a qualidade do futebol em geral que caiu muito, os inúmeros jogos pouco atrativos dos campeonatos regionais, e a violência das torcidas organizadas, afastando o torcedor dos estádios.

Com a Copa do Mundo no Brasil, houve reformas em vários estádios - todos ficando no padrão FIFA que é o padrão dos estádios europeus - deixando de existir a chamada “geral” ou “setor popular”. Isso fez com que os clubes elevassem o valor dos ingressos para cobrir despesas, não só da reforma, como do custo operacional para se abrir um estádio em um dia de jogo. O valor dos ingressos mais baratos para o jogo do Coritiba é de R$50,00, do Paraná Clube de R$60,00 e do Atlético R$100,00, sem contar nas despesas de transporte, valor elevado, se compararmos com o valor do salário mínimo brasileiro. Como termos de comparação, a final de 1992 entre Flamengo e Botafogo teve um público de 121 mil pagantes, com o valor médio do ingresso á R$30,00, tendo na geral 6 mil ingressos vendidos á R$10,00, valor mais justo se
comparado aos preços atuais. 

Com isso, a partir da virada da década, alguns clubes criaram o chamado sócio-torcedor, em que o torcedor se associa ao clube pagando uma mensalidade que, dependendo do valor, isenta do valor do ingresso ou dá desconto no preço do ingresso, além de descontos nas lojas e produtos dos patrocinadores do clube. Num primeiro momento, os clubes deram prioridade para compra dos ingressos somente para quem tinha algum plano de sócio, sobrando ingressos o preço era elevado o mesmo para a torcida visitante, tivemos alguns jogos entre 2011 e 2015 com ingressos chegando a R$120,00 para quem não tinha algum plano básico de sócio o que afastou muitos torcedores do estádio principalmente o torcedor de baixa renda e de classe média baixa. Hoje uma camisa oficial dos grandes clubes custa entre R$220 a R$ 250,00, um calção R$ 120,00 valor muito alto. Então criou-se um novo conceito que é que o torcedor de menor renda não faz mais parte do interesse do clube, já não é mais bem vindo nas novas arenas , esse mesmo torcedor que era a maioria nas arquibancadas nos anos 80 e 90 mais que hoje é praticamente impedido de ver o seu clube de coração. Raramente aparece uma promoção exclusiva para ele, quando o clube está perto da perigosa ZR,ou na própria aí faz uma promoção com ingressos a preços realmente populares pois os clubes acabam mudando o discurso e preferem arquibancadas cheias ao invés dos imensos espaços vazios que predominam nos estádios.

Em Curitiba, para se tornar sócio torcedor do Coritiba com direito a ingresso, dependendo do lugar no estádio, o valor médio chega é de R$ 100,00; do Atlético, R$90,00 a 120,00; e do Paraná Clube, de R$70,00. Estados como Rio Grande do Sul, Minas e São Paulo tiveram grande adesão de sócios torcedores. As capitais por serem cidades com maior população os estádios ainda têm uma boa média de público, comparado ao futebol paranaense. No Rio e no Nordeste, a adesão é baixa, muito pelos planos mal elaborados pelos clubes, outras por questões culturais. As equipes de Porto Alegre por anos se destacaram com grande número de sócios torcedores. O Internacional, por anos com as conquistas de 2 Libertadores, foi o líder. Hoje, já foi ultrapassado. 

Confira o número atualizado dos 13 maiores sócio-torcedores do Brasil (Adimplentes): 
São Paulo (151 mil), Grêmio (142 mil), Palmeiras (123 mil), Corinthians (120 mil), Internacional (112 mil), Atlético Mineiro (110 mil), Cruzeiro (79 mil), Sport (43 mil), Flamengo (39 mil), Fluminense (37mil), Botafogo (36mil), Coritiba (28 mil), Santos (23 mil). Esses números são dos próprios clubes, o único que não divulgou foi o Atlético-Pr, porém acredita-se que tenha cerca de 23 mil sócios adimplentes no momento. O Paraná Clube tem cerca de 3 mil atualmente. 

Números atualizados dia 25/07 pelo site goal.com.

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